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Acusado de roubar naco de toucinho

Acusado de roubar naco de toucinho

Cliente de supermercado de Tomar promete ir até às últimas consequências para limpar o seu nome

A véspera deste Natal foi de má memória para José Henriques, enxovalhado por um segurança ao serviço do Intermarché de Tomar, que o acusou de roubo perante várias dezenas de consumidores. O cliente diz que o seu bom nome foi posto em causa e promete ir até às últimas consequências.

Edição de 05.01.2005 | Sociedade
Um habitante de Paialvo, Tomar, foi acusado por um segurança ao serviço do Intermarché de Tomar de ter escondido dentro do bolso do casaco um bocado de toucinho fumado. Indignado, José Henriques exigiu a presença da polícia e vai levar o caso para tribunal.Pouco passava da uma da tarde de dia 24 de Dezembro quando José Henriques entrou no Intermarché de Tomar. Estava com pressa e o seu único objectivo era entregar algum dinheiro à mulher, Isabel, para esta pagar as compras.Mas ao passar junto a uma das estantes de frio reparou nuns nacos de toucinho fumado, que adora, e decidiu agarrar num pedaço para pôr no carro de compras da esposa, o que fez quando a encontrou.Minutos depois José Henriques saiu pela caixa “sem compras” do hipermercado, tendo ido dar uma olhadela nos brinquedos que estavam expostos no corredor de entrada. Foi nessa altura que um segurança do estabelecimento veio ter com ele e lhe exigiu que lhe desse o “objecto” que tinha posto no bolso.“A princípio fiquei tão aparvalhado que não estava a entender o que o homem queria”, confessa José Henriques, adiantando que só tomou consciência das palavras do segurança quando as pessoas começaram a parar em seu redor.Indignado com a acusação, o cliente do Intermarché recusou-se a mostrar o conteúdo dos bolsos ao segurança, exigindo que este chamasse a polícia. “Nessa altura ele tentou recuar, mas eu já não deixei”, diz José Henriques, adiantando que antes ainda chamou a atenção do segurança para o facto de ter passado pela porta “sem compras” e desta não ter apitado. “Mas o homem respondeu-me que isso não queria dizer nada”.A PSP de Tomar foi finalmente chamada ao local e constatou que o “produto do furto” estava dentro do carrinho de compras da mulher do cliente, que inclusive já tinha pago a conta.Nessa altura já dezenas de clientes se tinham aglomerado no local. “Era véspera de Natal e o espaço estava cheio”, diz José Henriques adiantando que nunca se sentiu tão enxovalhado na vida. Mesmo depois de ter ficado provado que o cliente não levava o toucinho nos bolsos, o segurança escusou-se a pedir desculpa pelo seu acto. “Na altura só me queria vir embora e nem pensei nisso”. Mas no domingo, dia 26, José Henriques decidiu que as coisas não podiam ficar assim, por respeito a ele próprio e aos outros clientes do estabelecimento. Foi à PSP saber o que poderia fazer e não saiu do Intermarché sem falar com o gerente da loja. Que lhe disse apenas que não podiam fazer grande coisa já que o segurança era de uma empresa privada, que apenas ali presta serviço.Ao nosso jornal o responsável pelo Intermarché de Tomar, Paulo Alfornel, confirmou ter havido “excesso de zelo” por parte do segurança da World Securitie, tendo ele próprio pedido desculpas ao cliente.Desculpas que souberam a pouco a José Henriques. “Os clientes não podem ser acusados de ladrões sem mais nem menos”, diz, adiantando que irá apresentar queixa ao Ministério Público por o seu bom nome e a sua idoneidade terem sido postos em causa. “Nunca na minha vida roubei nada e não é por causa de um naco de toucinho que custou 44 cêntimos que vou ficar com o nome manchado por um segurança que, pelos vistos, não sabe o que anda a fazer”.Margarida CabeleiraSó a polícia pode agirAs pessoas que prestam serviços de segurança nos hipermercados não podem revistar os clientes nem exigir-lhes que mostrem o conteúdo dos seus bolsos. Segundo o comandante da secção de Tomar da PSP, quem faz isso incorre num crime.“Só com um mandado de revista, passado pela autoridade judicial (tribunal) ou com ordem da autoridade da polícia criminal (comandante da PSP) é que um cliente pode ser revistado”, referiu ao nosso jornal o comissário Lopes Martins.De acordo com o mesmo graduado, qualquer cliente pode e deve apresentar queixa, na PSP ou directamente no Ministério Público, quando é abordado por um segurança no sentido de “mostrar o que traz nos bolsos”. “Mesmo quando um indivíduo é apanhado em flagrante é sempre a polícia que tem de actuar, nunca o segurança”.O comissário Lopes Martins refere ainda que a PSP tem conhecimento de que, em casos de suspeita de furto, o processo habitual e usual nas grandes superfícies é o suspeito ser levado para um gabinete, longe dos olhares dos restantes clientes, e ser ali sujeito a interrogatório por parte da segurança do estabelecimento.Um acto também considerado crime, neste caso de sequestro. “Em caso de suspeita a única coisa que os seguranças devem fazer é chamar a autoridade policial ao local”, finaliza o comandante da PSP de Tomar.
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