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Computadores ajudam a aprender

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Projecto informático inovador na escola primária de S. Facundo, Abrantes

As crianças da escola primária de São Facundo tiveram uma surpresa das grandes quando regressaram das férias de Natal. Vários computadores portáteis vão ser preciosos aliados no processo pedagógico. A iniciativa da Câmara de Abrantes pretende familiarizar os alunos com o mundo da informática.

Edição de 05.01.2005 | Sociedade
A pequena Diana não cabia em si de contente na manhã de segunda-feira. Ano novo vida nova, diz o ditado popular que assenta que nem uma luva ao primeiro dia de aulas de 2005 na escola do primeiro ciclo de São Facundo, concelho de Abrantes. Vários computadores portáteis passaram a estar à disposição dos alunos e são ferramentas que podem ser muito úteis para quem aprende e ensina.“Em casa não tenho computador, mas gosto muito e até vou aprender melhor”, contava Diana, aluna do 2.º ano, natural da aldeia, perante o contacto com a novidade. A escola de São Facundo deu início no dia 3 a um projecto inovador em toda a região e como poucos no país. Designa-se Mocho XXI e pretende incrementar um novo conceito de aprendizagem. A iniciativa foi da Câmara Municipal de Abrantes e Américo Pereira, o professor da escola do primeiro ciclo do ensino básico, aceitou-a de imediato. “É necessário encontrar professores que não tenham receio de aprender novos métodos”, afirmou o presidente do município de Abrantes, Nelson Carvalho (PS), considerando que estas iniciativas é que revolucionam o sistema de ensino. “Já que o ministério não toma as iniciativas, tomamos nós. Não é preciso fazer grandes obras. Esta é uma escola velhinha, mas este projecto é extremamente importante”, continua o autarca, esperando que para o ano o Ministério da Educação abra os cordões à bolsa e ofereça às escolas do país um projecto idêntico. “Nós escolhemos uma escola da periferia – São Facundo fica a cerca de 20 quilómetros da sede do concelho – mas queremos que para o ano todas as escolas de Abrantes estejam equipadas”, adianta.Os seis portáteis, Pentium M 1.6, custaram cerca de 7.500 euros não contando com o software, mais oneroso, e igualmente custeado pela autarquia. Os programas são adequados às idades das crianças e às matérias curriculares de cada um dos quatro graus do primeiro ciclo do ensino básico. Os computadores têm ligação à internet e os conceitos são adquiridos sem grande esforço. Por outro lado, as crianças começam a familiarizar-se desde cedo com a informática, actualmente fundamental para qualquer profissão.“Esta é a forma de combater a info-exclusão, tão limitadora como foi o analfabetismo”, afirma Américo Pereira. A escola de São Facundo, à semelhança do que acontece por todo o concelho de Abrantes, já estava equipada com computadores de secretária, que os alunos estavam habituados a usar e com “resultados muito positivos”, acrescenta o professor.A inauguração formal deste projecto inovador levou a São Facundo personalidades concelhias que as crianças estão pouco habituadas a ver na sua escola. Mas essas visitas não lhes fizeram dispersar a atenção. O importante era ver e experimentar as potencialidades que aquelas pequenas máquinas agora aos seu dispor lhe ofereciam. Juntavam-se dois a dois, só um dos alunos saltitava por vários grupos e os deditos percorriam o teclado dando ordem de entrada aos novos programas. Aparecia uma história e os olhitos abriam-se ainda mais. Raquel, do 1.º ano, e Cátia do 2.º ano, não se despegavam do ecrã. Ao lado, de pé, Maria de Jesus Alves, antiga funcionária da escola, já aposentada, seguia o à vontade com que as meninas mexiam nas teclas e as imagens que apareciam no écran. “Trabalhei aqui 38 anos, agora que isto é bom é que me fui embora”, dizia, entusiasmada com as novas formas de aprendizagem. “Gosto muito deles e o professor é muito bom. Isto é um sonho e ainda bem que assim é”, continuava acrescentando que aquelas e todas as crianças que passaram pela escola fazem parte da sua família. “Quando elas estão felizes eu estou bem, estou reformada, mas estou sempre ajudar quando é preciso”, conclui.Margarida Trincão
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