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Junta da Ribeira não tinha contabilidade organizada

Julgamento de ex-autarca acusado de burla e peculato
Edição de 05.01.2005 | Sociedade
O inspector da Polícia Judiciária que investigou as contas da Junta de Freguesia de Santa Iria da Ribeira, na época em que Armando Pires foi presidente, considerou que a autarquia era desprovida de contabilidade organizada. Rui Manuel testemunhou terça-feira, na qualidade de perito, no Tribunal de Santarém, no processo em que o ex-autarca é acusado de peculato e burla.Segundo o inspector disse ter verificado, existia uma conta bancária em nome da junta de freguesia e duas na titularidade do arguido, uma delas a prazo. E confirmou que foram depositados vários cheques, pelo menos cinco, com valores entre os 500 contos (cerca de 2.500 euros) e os mil contos (5.000 euros), nas contas pessoais de Armando Pires. Esses cheques tinham sido emitidos pela empresa Sal & Miranda que procedia na altura à extracção de areia no Tejo na zona da Ribeira de Santarém. E alegadamente diziam respeito a taxas de exploração a pagar à autarquia. Depois de estarem nas contas de Armando Pires, disse o inspector, perdeu-se o rasto ao dinheiro. E não se sabe se o mesmo era usado em pagamentos de despesas da junta. Nesta sessão foi ainda ouvido Raul Violante, que foi vereador da Câmara de Santarém entre 1994 e 97, altura em que Armando Pires era ainda presidente da Junta da Ribeira. E disse ao tribunal que as juntas na altura viviam com dificuldades. Confrontado pela advogada de acusação, Sónia Sanfona, o ex-vereador reconheceu que a câmara municipal costumava apoiar financeiramente as obras na freguesia. Raul Violante salientou ainda que, na altura, as juntas de freguesia estavam impedidas de recorrer a empréstimos bancários. Foi nesse momento que Sónia Sanfona requereu a junção de um documento que indicia o facto da junta ter contraído um empréstimo ilegalmente. Nessa altura a sessão foi interrompida até dia 25, altura em que o tribunal se pronunciará sobre a sua junção aos autos. Armando Pires foi presidente entre 1979 e 1997. É acusado de peculato e de burla. É suspeito de ter feito passar para as suas contas pessoais verbas que legitimamente pertenciam à junta de freguesia, entre outras irregularidades.

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