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Entre a floresta e a lezíria

Entre a floresta e a lezíria

Vale de Cavalos, freguesia do concelho da Chamusca que já pertenceu a Alpiarça

Tem bom ar, ruas cuidadas e uma história para contar. Vale de Cavalos foi terra disputada entre vários concelhos, acabou por ficar no da Chamusca. Muitos dos seus habitantes trabalham em Alpiarça mas sentem-se chamusquenses de alma e coração.

Edição de 12.01.2005 | O poder local aqui tão perto
As histórias sobre a origem dos nomes das terras remetem quase sempre para lendas de mouras encantadas ou de grandes feitos. Vale de Cavalos não foge à regra e conta-se que a designação teria tido origem em Lava Cavalos. Isto porque no tempo da reconquista aos mouros, D. Afonso Henriques acampou por aquelas bandas e mandou os soldados lavarem as suas montadas.Menos lendária será talvez uma outra toponímia porque a terra foi conhecida - Paúl de Trava - devido a existência de ruínas romanas com esse nome. O certo é que esta freguesia, que se estende por 110 quilómetros quadrados, já pertenceu à freguesia de São Vicente do Paul, no concelho de Santarém, depois passou para o concelho de Ulme, mais tarde para o de Alpiarça e por fim para o da Chamusca. Conta-se também que no limite da freguesia de Vale de Cavalos com a da Chamusca existe uma língua de terra, pertença desta última autarquia, para onde fugiram uns naturais de Vale de Cavalos, quando esteve novamente em disputa a passagem da freguesia para o município de Alpiarça. “Eles não queriam, por nada deste mundo, pertencer ao concelho de Alpiarça e então acamparam nesse triângulo de terra”, diz Vítor Costa, presidente da Junta de Freguesia de Vale de Cavalos.A maior parte dos terrenos desta freguesia é floresta e campos de regadio. Nos seus 110 quilómetros quadrados existem apenas três povoados – Vale de Cavalos, Casal das Oliveiras e Caniceira – com uma população global de cerca de 1250 habitantes.A terra, as grandes quintas não são propriedade dos naturais. Os seus donos vivem na Golegã, na Chamusca e em Alpiarça. Dantes a maioria da população activa era assalariada rural. Com a mecanização agrícola, a maioria da população foi trabalhar para a sede do concelho e, sobretudo, para Alpiarça.Na freguesia não há muitas entidades empregadoras, apenas algumas oficinas de carpintaria, marcenaria, construção civil e restauração.A Estrada Nacional 118 que atravessa Vale de Cavalos trouxe benefícios para a terra e com a instalação de semafóros não têm havido problemas de segurança, segundo diz o presidente da junta. “Os restaurantes resultaram e isso é bom”, acrescenta.No entanto para combater a desertificação e proporcionar a fixação de gente nova é necessário novos postos de trabalho e uma das maiores ambições da junta é conseguir criar um pólo industrial, onde se instalem novas empresas.“Estamos ligados à zona industrial de Alpiarça, mas essa é de outro concelho, Vale de Cavalos nada beneficia com isso”, adianta o presidente da junta. No meio das aldeias, apesar do cuidado com os espaços públicos, há casas em ruínas e grandes edifícios onde a degradação começa a ser preocupante. Sintomas da desertificação, das alterações na exploração dos campos e do pouco poder da terra em fixar os descendentes dos donos desses imóveis.Para a terceira idade, Vale de Cavalos dispõe de um centro de dia que também dá apoio domiciliário a toda a freguesia. “Penso que a este nível o centro de dia dá resposta às necessidades, mas também é necessário apoiar os idosos à noite e apostamos na construção de um centro de noite”, esclarece o presidente da junta.O equipamento, denominado Aconchego, fornece as refeições às crianças do jardim de infância. A freguesia tem escolas em Vale de Cavalos e na Caniceira, a segunda povoação mais populosa. Casal das Oliveiras soma apenas uma escassa centena e meia de habitantes.Com saneamento básico instalado nas três aldeias e tratamento de esgotos, a maior dificuldade é fazer com que todos os moradores peçam os ramais para as suas habitações: “Costumo dizer que Vale de Cavalos teve saneamento básico primeiro que o Porto”, graceja o autarca e prossegue: “Pouco a pouco população tem sido sensibilizada e tem vindo a pedir os ramais para ligação ao colector central”.Para além desta situação, Vítor Costa gostaria de ver asfaltada a chamada estrada dos Paralelos, entre Chamusca e Vale de Cavalos. “É uma via alternativa, mas era bom se fosse cuidada”.Apesar do cultivo da terra já não ser a principal fonte de rendimento das gentes de Vale de Cavalos, são as tradições rurais que dominam esta freguesia da lezíria ribatejana. As duas associações existentes perpetuam as danças, os cantares e a música e na altura da festa em honra de Nossa Senhora dos Remédios, no primeiro fim-de-semana de Setembro, toda a freguesia vem para a rua.Margarida Trincão
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