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Correios muito disputados

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Junta de Freguesia de Vila do Paço e sociedade filarmónica querem ficar com as instalações

Uma guerra pela posse do edifício dos correios de Vila do Paço está a travar a assinatura de um protocolo entre os CTT e a junta de freguesia local para entregar a gestão do serviço à autarquia. A sociedade filarmónica da terra diz que o imóvel é do povo.

Edição de 12.01.2005 | Sociedade
A população da freguesia do Paço, Torres Novas, está a ser penalizada devido a uma guerra pela posse do edifício onde está situada a estação dos correios, actualmente a funcionar apenas duas horas por dia. Tudo começou quando, em finais de 2003, os CTT, à semelhança do que estão a fazer um pouco por todo o país, avançaram com uma proposta de transferência do serviço de agenciamento dos correios para a junta de freguesia. Uma proposta imediatamente contestada pela Associação Filarmónica de Vila do Paço, que não quer que o edifício fique nas mãos da junta.Os Correios dizem não avançar para a concretização do protocolo enquanto a junta de freguesia e a sociedade filarmónica não se entenderem. A junta aguarda que os CTT definam a quem querem vender o edifício. E a colectividade prefere que tudo fique como está a ir parar às mãos da autarquia. Um imbróglio que está a deixar o processo “arder em lume brando”.De acordo com José Machado, director comercial dos CTT para a zona de Santarém, a estação dos Correios de Vila do Paço tem um tráfego reduzido e faz todo o sentido passar a sua gestão para a junta de freguesia.Tudo seria fácil se no negócio não estivesse um edifício que a Sociedade Filarmónica de Vila do Paço reclama como propriedade do povo da aldeia. Apesar de ter sido doado aos CTT por escritura lavrada em 1980.A presidente da sociedade filarmónica acusa a junta de negociar “à sucapa” um edifício que foi feito com o trabalho e o suor da população da aldeia. Clotilde Sentieiro afirma ainda que foi descoberta uma escritura de 1956 em que está escrito que ao fim de 20 anos de usufruto pelos Correios o edifício seria vendido ou alugado.Só que os correios têm em seu poder uma escritura muito mais recente, de 1980, em que a comissão de construção do imóvel doa aos CTT o edifício. “O edifício é legalmente nosso, temos o direito de o vender a quem quisermos”, confirma José Machado, adiantando que o protocolo assinado entre os Correios e a Associação Nacional de Freguesias (Anafre) dá primazia no negócio às autarquias em detrimento de outras entidades.A situação agudizou-se no último trimestre do ano passado, com a sociedade filarmónica a fazer uma espécie de ultimato à junta, que não o aceitou.A direcção da colectividade “dava autorização” para a junta comprar o edifício aos Correios se esta lhe garantisse que o agenciamento nunca sairia daquele espaço. E que, quando ficasse demonstrado que a autarquia não teria capacidade para gerir o serviço, a colectividade ficaria com ele. Adquirindo-o então pelo valor idêntico àquele que a junta pagou aos correios.Mas porquê adquirir o edifício à posteriori se a colectividade está convicta de que o espaço lhe pertence? – questionamos. “Porque pertence ao povo”, diz Clotilde Sentieira, que acrescenta: “Se a junta comprar o edifício ele fica de toda a freguesia e isso nós não queremos. O que queremos é salvaguardar o trabalho e o suor das pessoas de Vila do Paço”.Sobre o facto de a população estar a ser penalizada com esta “guerra”, uma vez que a junta se compromete a alargar o horário de funcionamento muito para além das actuais duas horas diárias, a presidente da colectividade não desarma, afirmando que a autarquia não tem capacidade financeira para ter um funcionário a tempo inteiro.Margarida Cabeleira
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