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Funcionárias disputavam o colo do vereador

Funcionárias disputavam o colo do vereador

Testemunho surpreendente no julgamento de António Fidalgo, acusado de coacção sexual

Uma testemunha no processo do vereador da Câmara de Tomar António Fidalgo, acusado de coacção sexual, disse na última sessão do julgamento que as queixosas é que se sentavam no colo do arguido.

Edição de 12.01.2005 | Sociedade
O funcionário dos Serviços Municipalizados de Tomar, Manuel Jacome, proferiu declarações inesperadas quando testemunhou segunda-feira no âmbito do processo do ex-vereador António Fidalgo, acusado de coacção sexual. Contrariando as quatro funcionárias e assistentes no processo, que declararam que o autarca as obrigava a sentar no colo, a testemunha disse que as viu várias vezes em disputa para se sentarem nas pernas de António Fidalgo. As declarações, que deixaram o tribunal surpreendido, prosseguiram com Manuel Jacome, também presidente do Centro Cultural e Desportivo da Câmara de Tomar, a dizer que essas cenas se passavam perante o olhar de outras pessoas. Segundo disse, os casos passavam-se no restaurante do parque de campismo da cidade, explorado na altura (2001) pelo centro. E afirmou ter visto por mais que uma vez as quatro funcionárias, também conhecidas por “pombinhas do senhor vereador”, sentarem-se no colo de António Fidalgo após os almoços que decorriam no restaurante. “Às vezes uma empurrava a outra” para tomar o seu lugar nas pernas do autarca, sublinhou. Esses almoços, afirmou, eram reservados pelas queixosas e destinavam-se a grupos de pessoas que participavam em manifestações da autarquia, como artesãos ou artistas que actuavam em festas. Manuel Jacome repetiu várias vezes, perante o espanto do colectivo de juízes, que achava esse tipo de comportamento estranho, apesar de decorrer em ambiente de diversão. Funcionário da autarquia há 20 anos, Manuel disse ainda que viu várias vezes as assistentes a andarem na rua de braço dado com o vereador Fidalgo. Isto para além de por vezes em público elas lhe ajeitarem a gravata. “Se alguém está a ser ofendido na sua dignidade não anda” com este tipo de comportamentos “em público”, acrescentou à laia de comentário. Em resposta a uma pergunta do juiz que preside ao colectivo, a testemunha disse que o vereador aceitava a situação delas se sentarem no seu colo com naturalidade. Não se mostrava constrangido. “Isso acontecia de forma espontânea”, elucidou, acrescentando que “elas chegaram a dizer-me que o doutor Fidalgo era como um amigo, um confidente e um pai”. O juiz Camilo Alves, que tem vindo a questionar a passividade de algumas testemunhas neste processo, por não terem reagido na altura, chegou a comentar: “Não sei se isso eram almoços culturais ou orgias…”.A testemunha esclareceu ainda que as funcionárias em questão eram alcunhadas de “pombinhas” porque andavam com o vereador por todo o lado. E que toda a gente as conhecia por essa designação.Questionado se mais alguém tinha visto o mesmo, Manuel Jacome apontou o nome de outro funcionário da autarquia, que está também arrolado como testemunha.O julgamento prossegue na tarde de 31 de Janeiro, com a audição de mais quatro testemunhas.
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