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Termas romanas atrasam pavilhão

Termas romanas atrasam pavilhão

Obras em Tomar põem a descoberto importantes vestígios arqueológicos

Uma equipa de arqueólogos descobriu importantes ruínas romanas e visigóticas junto à obra do pavilhão municipal de Tomar. A câmara quer musealizar o local, o que implica o atraso na empreitada.

Edição de 12.01.2005 | Sociedade
Muros com cerca de um metro, uma conduta de água do Alto Império Romano (século II) e outras infra-estruturas menos nobres como absides (construções semicirculares) do tempo dos Visigodos (séculos VI e VII) foram descobertos junto às obras do pavilhão municipal de Tomar.Foi por mero acaso e com bastante surpresa que a equipa da Ozecarus, empresa de trabalhos arqueológicos, descobriu “os mais bem conservados achados arqueológicos” até agora encontrados em Tomar.A equipa liderada pelo arqueólogo Carlos Batata procedia a escavações de rotina no âmbito do acompanhamento da obra do pavilhão municipal quando, numa faixa de terreno onde iria ser colocado um posto de transformação de electricidade, o movimento de terras pôs a descoberto as ruínas.Embora ainda se esteja a tentar perceber exactamente que tipo de edifícios ali existiram, o arqueólogo está convicto de que aquela seria uma zona nobre da antiga cidade romana e que, dada a excelente conservação dos vestígios, dever-se-á tratar de um importante edifício público.“A perfeição dos muros e as características da conduta de água romana agora descoberta, semelhante às que existem nas ruínas de Conímbriga e Eburobritium (Óbidos) leva a crer que esta abasteceria possivelmente um edifício termal”, disse ao nosso jornal Carlos Batata.A descoberta dos vestígios arqueológicos poderá atrasar a abertura do pavilhão municipal de Tomar. O edifício está praticamente pronto, devendo estar concluído dentro do prazo previsto, finais de Fevereiro.O problema prende-se é com o seu funcionamento, já que só depois das escavações estarem concluídas – no máximo dentro de mês e meio – é que a Câmara de Tomar poderá construir o posto de transformação de electricidade, que irá fornecer energia eléctrica não só ao pavilhão como ao estádio municipal, actualmente a ser requalificado.As escavações vão continuar numa área duas vezes maior que a actual e terão como limite precisamente o local onde estava prevista a construção do posto de transformação.“Temos primeiro de saber se as ruínas ocupam todo aquele espaço exterior. E só depois é que avançamos para um projecto de alterações”, referiu a O MIRANTE o presidente do município, António Paiva (PSD).Uma coisa é certa. As árvores e o cascalho que iriam embelezar o espaço exterior do pavilhão municipal já não serão ali colocados. Ao invés, o município pretende “mostrar” as ruínas ao público, com a colocação apenas de uma espécie de telheiro por cima da área agora descoberta, para a proteger da chuva, e a execução de um passeio ao longo da rua, para que as pessoas possam apreciar os vestígios romanos.António Paiva diz que os achados arqueológicos, pela sua importância, são uma mais-valia, não só para a zona mas para toda a cidade, nomeadamente em termos de interesse turístico-cultural.Margarida Cabeleira
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