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Um caminho de cabras à beira da auto-estrada

Um caminho de cabras à beira da auto-estrada

Desvio cheio de buracos e sem sinalização é um martírio

Quem faz o percurso de pouco mais de dez quilómetros entre Santarém e Almoster tem que se sujeitar a um desvio com piso esburacado e sem sinalização. Tudo por causa das obras de alargamento da autoestrada.

Edição de 12.01.2005 | Sociedade
As obras de alargamento da autoestrada A1 na zona de Santarém estão a causar grandes transtornos a quem circula de automóvel entre Santarém e a freguesia de Almoster. Devido ao corte da Estrada Nacional 365 junto à localidade de Atalaia, por exigência da empreitada, os automobilistas são obrigados a recorrer a um desvio que mais parece uma picada africana.A EN 365 foi cortada há cerca de dois meses junto à passagem superior de Atalaia, quando ficou pronto o desvio feito pelo empreiteiro das obras da A1. Só que a alternativa deixa muito a desejar. O piso continua esburacado e por asfaltar e não há qualquer sinalização. No trajecto, frequentado por muitos veículos pesados e onde se regista muito trânsito, já ocorreram inclusivamente alguns acidentes.A presidente da Junta de Freguesia de Almoster, Eva Costa (PS), recorda que, em conjunto com a Câmara de Santarém, já foram feitos vários contactos com a Brisa e com a construtora Somague, que lidera a empreitada de alargamento da A1. O responsável pelo gabinet de relações públicas da Brisa, Franco Caruso, disse ao nosso jornal que já foram dadas instruções ao empreiteiro para que o desvio seja mantido em condições de circulação. Mas até à data não houve qualquer desenvolvimento e a autarca de Almoster teme que acabem as obras e o acesso fique no estado em que está. O desvio foi aberto em área de servidão militar do Exército.“Não há quaisquer resultados dos contactos. Além disso, os veículos das obras utilizam outros caminhos da nossa freguesia que, embora não sejam alcatroados, estão agora em muito piores condições”, diz Eva Costa. O mesmo sucede nalgumas vias da freguesia vizinha de Póvoa de Isenta.Em ofício enviado à Câmara de Santarém com conhecimento à Brisa, a Junta de Almoster avisou logo em 29 de Outubro que, nas condições em que se encontrava o desvio, não assumia qualquer responsabilidade em caso de acidente.A autarca diz ainda que os protestos dos automobilistas e dos moradores junto ao novo acesso surgem quase todos os dias. “As pessoas que vivem junto à estrada não podem pôr a roupa a secar no exterior por causa do pó”, exemplifica. Para além disso é o ruído e o movimento pouco comum para quem estava habituado a viver no sossego do campo.Como se não bastasse o tráfego local e a movimentação de camiões das obras, o desvio junto a Atalaia é ainda utilizado por veículos pesados que o usam como alternativa à Ponte da Asseca. Essa travessia, no troço da EN 3 entre Vale de Santarém e Santarém, encontra-se encerrada ao tráfego de veículos pesados por se encontrar igualmente em obras.A Assembleia Municipal de Santarém também tomou posição sobre o assunto, aprovando no dia 6 de Janeiro uma moção onde se manifesta “repúdio” pela “ausência de medidas por parte do Governo e da Brisa, de modo a minorar os enormes prejuízos causados pelas obras da A1”. A proposta do eleito Luís Leitão (PS) foi aprovada por larga maioria.Antes das obras de alargamento da A1, o consórcio contratado pela Brisa pretendeu que o desvio na zona de Atalaia fosse feito por uma estrada que liga a EN 365 a Casal do Paul e daí a Almoster. Mas a Junta de Freguesia de Almoster opôs-se a essa solução, devido aos previsíveis impactos que o trânsito intenso teria dentro da localidade e na via que a atravessa.
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