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Uma estrada para dois utilizadores

Uma estrada para dois utilizadores

Câmara de Torres Novas alcatroa via quase sem uso e deixa ponte ao abandono

A Câmara de Torres Novas decidiu alcatroar um caminho que serve dois proprietários confinantes, deixando por arranjar uma estrada que dá acesso às mesmas propriedades e é utilizada por muito mais gente. Os critérios da autarquia são contestados por alguns moradores da zona do Casal das Vinhas Mortas.

Edição de 12.01.2005 | Sociedade
“Com tanta estrada para alcatroar vão gastar dinheiro numa estrada que só serve dois proprietários que, ainda por cima, têm outro acesso”. A reclamação é feita pelos moradores do Casal das Vinhas Mortas, em Torres Novas, quando deram conta de que as máquinas da câmara alargavam o que resta de uma antiga via, desactivada após a construção da variante do Bom Amor. Por arranjar ficou uma estrada vizinha que serve esses e muitos mais proprietários, o que não agradou aos residentes da zona.O processo arrasta-se há vários anos na Câmara Municipal de Torres Novas e o executivo acabou por decidir mandar alargar e alcatroar a via a fim de “repor a legalidade”. De facto a via em causa é pública e nenhum proprietário pode ficar na sua posse, mas no caso vertente a decisão do executivo poderá classificar-se quase como excesso de zelo. O único morador do troço, que também adquiriu a pequena área entre este caminho e a variante do Bom Amor, decidiu alcatroar e calcetar a via em frente da sua casa. Segundo diz, nunca cortou o acesso aos vizinhos, apenas tentou melhorar as condições de circulação. Admite, no entanto, que em tempos colocou um rede de quadrícula larga fixada em estacas amovíveis, para as ovelhas pastarem sem fugirem. “Já o meu pai fazia isso. Ninguém passava por ali. E como o terreno ao lado da minha casa é meu e o que está em frente também as ovelhas pastavam de um lado e do outro e não vinham para a estrada”, diz Jorge Trincão acrescentando que logo que foi avisado retirou a rede “para evitar problemas”.A via em causa, paralela à Variante do Bom Amor, tem algumas dezenas de metros, acabando num muro de um outro proprietário no sentido Nicho-Torres Novas. No sentido inverso está igualmente cortada. Mesmo assim o assunto foi levado à câmara pelos proprietários confinantes, que reclamaram a intervenção da autarquia, dado tratar-se de uma estrada pública. As terras têm acesso por outro caminho vicinal, que atravessa o Casal das Vinhas Mortas e serve muitas outras propriedades até chegar à estrada da Sapeira.“Essa estrada é que deviam arranjar e olhar para a ponte por onde já nem se pode passar”, protestou outro dos presentes. Presentemente, esta estrada só pode ser percorrida a pé, porque a ponte que é necessário atravessar está partida ao meio. “Para essa estrada que serve muita gente ninguém olha, mas vão alcatroar um bocado que só serve duas pessoas. A câmara deve ter muito dinheiro”, acrescentou o mesmo munícipe.Parte do terreno entre as duas parcelas e a variante do Bom Amor pertence ao Instituto de Estradas de Portugal e, para já, como a via ainda não foi desclassificada as possibilidades de abrir um acesso directo para a Variante são poucas ou nulas. Situação que poderá, eventualmente, mudar quando a via passar a avenida urbana. “Mas eu nunca quis cortar o acesso”, continua Jorge Trincão, olhando com algum desespero para as lajes rebentadas. “Só lamento é ter gasto aqui tanto dinheiro, agora espero que ponham o alcatrão para ficar de novo arranjado”, conclui.
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