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Politicólogo Serafim das Neves

Edição de 19.01.2005 | E-mails do outro mundo
Já vi as fotografias dos candidatos pelo círculo eleitoral de Santarém à entrada da cidade, na chamada rotunda do Modelo. Vi e fiquei danado. Os partidos cá da terra tinham anunciado a Luísa Mesquita, o Jorge Lacão, o Miguel Relvas mas afinal é mentira. Quem quiser pode confirmar. E só se for muito cégueta é que não enxerga aquelas fotos gigantescas do Pedro Santana Lopes, do Francisco Louçã, do Jerónimo de Sousa e do José Sócrates.Mas afinal que raio de treta é esta? O que é que os deputados que elegemos vão afinal fazer para a Assembleia? Levantar o braço de acordo com os interesses superiores da política partidária? Serafim, se vires um daqueles caderninhos com as propostas para a região, deita-o logo para o lixo. Ou limpa-lhe o rabo se o papel for macio. Ao menos assim dás préstimo ao que não tem préstimo nenhum.Mas porque é que aquela gente gasta tempo e dinheiro a fazer coisas daquelas? Só se for para dar trabalho às gráficas e para nos atafulhar as caixas do correio de papel? Como é que eles podem prometer isto ou aquilo se sabem à partida que se forem eleitos só vão fazer número lá para a Assembleia?Eu gostava de votar num deputado que não fosse em cantigas. Que não se deixasse manobrar pelos capatazes do partido. Um daqueles que se lembrasse da região que o elegeu. Vinha um orçamento e aquela ponte que nos faz falta há vinte anos não estava lá, pimba, o homem votava contra. Aparecia uma lei a discriminar aqui a rapaziada e zás, o nosso deputado fazia um chinfrim que se ouvia na Austrália. Assim é que era!Os deputados ficam todos enxofrados quando a gente diz que a Assembleia é uma carneirada? Azar o deles! Aquilo é mesmo uma carneirada. E ai do carneiro, salvo seja, que decida marrar (cá estou eu outra vez) ao contrário. Mas afinal porque é que não votamos directamente no Sócrates, no Santana, no Portas, no Louçã, no Jerónimo? Era mais divertido e mais verdadeiro. Eles depois que tratassem de escolher quem ia alapardar-se lá em S. Bento. Diz-me lá tu que até pescas umas coisas de política. Qual é a diferença entre o primeiro e o último da lista do PS pelo círculo de Santarém? E entre o primeiro e o último de outro partido qualquer? É o comprimento dos braços?!! Não me façam rir! Quando chega a hora da votação tanto vale um braço curto como um comprido. Os secretários contam tudo bem contado. Ali não escapa um voto. E se for preciso o Jorge Lacão até trepa para cima da cadeira para o verem melhor.O tempo que aquela rapaziada passa a discutir os nomes para as listas. Aquilo faz-me impressão. Que critérios é que presidem àquelas escolhas? “O da Jota tem que entrar. Agora uma mulher que é por causa das quotas. A nossa concelhia tem que meter alguém porque é de tradição. O Lopes é indispensável porque tem peso em Lisboa, não se esqueçam. Aqui na província ele fica sempre mais leve mas lá na capital manda para cima de oito arrobas”. Não me lixem! Não me gozem!Para não me ficar pelos políticos vou fechar em Sol maior. Claro que já adivinhaste que vou falar do espectáculo de solidariedade que um grupo de bem intencionados decidiu organizar em Santarém. Uma coisa à portuguesa, concerteza. Pensada num dia e feita no outro. Depressa e bem não há quem, diz o povo. A minha avó preferia a versão mais picante. As cadelas apressadas parem os filhos cegos. A iniciativa não correu bem, pois claro. E agora a culpa é da população; dos políticos; dos mecenas; do egoísmo nacional; etc, etc e tal.Mas nós somos mesmo assim. Temos jeitinho para tudo. Para mudar a bóia do autoclismo; para pintar o carro de outra cor; para fazer a instalação eléctrica lá de casa - ou mesmo a casa toda; para organizar concertos; para tocar guitarra se for preciso. Quando as coisas correm mal, já se sabe, a culpa é sempre dos outros. Do raio da mulher que não foi capaz de nos alcançar a chave de fendas; da parvalhona da sogra que ligou o quadro quando estávamos a colocar a tomada; do raio do cachopo que tropeçou na lata da tinta.Um abraço solidário do Manuel Serra d’Aire

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