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O autarca que guarda ovelhas

Joaquim Edgar Oliveira, presidente da Junta de Freguesia de Vale da Pedra
Edição de 19.01.2005 | O poder local aqui tão perto
Joaquim Edgar Oliveira é presidente da Junta de Freguesia de Vale da Pedra desde que esta foi criada, em 1988. Filho da terra, foi um dos líderes do movimento que encetou a recolha de assinaturas para a criação da freguesia, mas na altura nem pensava ser presidente. No entanto, alguns colegas do movimento mudaram para o PSD e ele sentiu-se quase obrigado a dar a cara pelo PS, o seu partido de sempre.Entrou para a comissão administrativa que tratou do processo da separação de Pontével e organizou as primeiras eleições. Foi a votos e ganhou. Um cenário que se repetiu em todas as eleições em que concorreu.Com 53 anos, Joaquim Edgar divide o tempo entre a junta, a empresa de construção civil que fundou e o rebanho de 400 ovelhas que adquiriu recentemente. As ovelhas são o seu grande anti-stresse. Gosta de estar no meio delas, no campo, altura que aproveita para pensar na vida e tirar da cabeça as chatices do dia a dia.O gosto pelas ovelhas e pelos animais em geral vem-lhe desde pequeno. Foi sempre muito ligado à agricultura e ao gado e nunca sentiu uma grande atracção pelos estudos. Filho de pai ferroviário e mãe doméstica, diz que era mandrião para a escola e completou apenas a quarta classe.Começou a cuidar do gado ainda andava na escola mas assim que a robustez física permitiu foi trabalhar para uma cerâmica. Esteve lá pouco tempo. O gosto pelos animais fê-lo regressar aos campos. Adorava dormir nas manjedouras e não esquece os momentos que passou com os colegas mais velhos que lhe ensinaram muito da vida.Entretanto, para ganhar mais algum dinheiro, aprendeu a ser pedreiro. Com a construção da fábrica do tomate, em 1968, deixou as obras e foi para a fábrica. Neste caso não foi para ganhar dinheiro mas porque era lá que estavam as moças da terra. E em bom tempo o fez. Foi lá que conheceu a esposa e três anos depois casou. Uma união que se mantém até hoje.Entretanto veio a tropa. Primeiro foi para Elvas mas depois pediu transferência para Santarém, onde foi motorista de comandante da altura, Francisco Morais. Assistiu a muitas reuniões do movimento dos capitães, feitas no carro que conduzia. Conta que falavam francês ou espanhol, para que ele não percebesse. Na noite da Revolução de Abril de 1974 foi de férias, ainda sem saber o que se passava mas já notando um movimento estranho. A última pessoa com quem falou foi Salgueiro Maia, que autorizou a sua saída, pois não eram precisos motoristas e ele mal sabia manejar uma arma.Finda a tropa entrou para a companhia das águas (actual EPAL), onde esteve 13 anos. Trabalhava por turnos e tinha tempo para a agricultura. Entretanto saiu da empresa e foi novamente para a construção civil, onde fundou uma empresa que agora entregou aos filhos.Com mais um ano de mandato, considera que estava na altura de abandonar a política. Ainda não tomou a decisão, mas como a associação comunitária ainda precisa de muita ajuda, admite ficar para, a partir da junta, ajudar a concluir os projectos daquela instituição de solidariedade.Simpatizante do Benfica, prefere acompanhar o seu Vale da Pedra, sobretudo nos jogos fora. Não é homem de passar muito tempo no café. Para ele o melhor mesmo é ficar com a família ou ir cuidar das 400 ovelhas do seu rebanho.

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