uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Quando a porcaria estaciona na garagem

Mau funcionamento da rede de esgotos prejudica morador de Torres Novas há dez anos

Sempre que chove com mais intensidade a garagem de Alcindo Costa fica inundada com toda a sorte de imundícies devido ao deficiente escoamento da rede de esgotos. Há dez anos que pede uma solução à Câmara de Torres Novas sem qualquer resultado.

Edição de 19.01.2005 | Sociedade
Há mais de dez anos que Alcindo Costa vive com o receio de os esgotos invadirem a sua garagem sempre que chove com mais intensidade. As reclamações para a Câmara de Torres Novas têm sido muitas, mas até à data o problema continua por resolver. “Ninguém imagina o que é viver assim. De noite ou a qualquer hora tenho de ir levantar a tampa da caixa de esgoto para tentar que as imundícies não me invadam a garagem”, diz. O queixoso foi um dos primeiros moradores do Bairro da Bica, em Torres Novas. Construiu a sua casa há cerca de 20 anos e durante os primeiros anos não houve qualquer problema. Mais tarde, com o aumento da construção na zona, a situação alterou-se e nunca mais teve sossego. Escreveu para a câmara repetidas vezes, para a delegação de saúde, para a DECO e até para a Provedoria da República. Os problemas estão à vista, mas nada se resolveu.“Há algum tempo fizeram obras, pensei que era daquela vez mas nada”, afirma. No entendimento de Álvaro Maia, técnico da Câmara de Torres Novas, a separação das redes de escoamento de águas pluviais e residuais, feita há cerca de um ano, deveria ter resolvido o problema. Mas em Novembro passado a situação voltou a repetir-se.“Nós não deitamos papéis na sanita, mas na tampa da nossa garagem aparece de tudo, até ratos mortos”, descreve Alcindo Costa que vive na angústia de ver de novo a sua habitação inundada de dejectos e maus cheiros.Segundo o morador, os esgotos são estreitos e deverão estar entupidos pelas raízes das árvores, plantadas nos passeios. Álvaro Maia não dá grande relevância a estas causas e desmente que a dimensão das tubagens seja insuficiente.“Não posso garantir, mas o problema é uma questão de quotas. As tubagens têm capacidade e o argumento de que estão entupidas não é válido”, afirma. De facto a suspeita de que raízes ou resíduos sólidos estejam a obstruir as canalizações baseia-se no facto de uma das vezes em que os serviços camarários foram chamados ao local introduzirem um verga de aço que não foi muito além. “A verga é rígida, se houver uma curva já não passa, portanto não prova nada”, diz Álvaro Maia, acrescentando que só abrindo uma vala para localizar os canos é que se pode ter certezas.Neste ponto, Alcindo Costa e Isabel Costa concordam, só não percebem as razões que apresentam para demorarem tanto tempo a fazer a obra. “Estamos a falar em poucas dezenas de metros. Não acredito que em 10 anos os funcionários da câmara não tenham tido dois ou três dias para abrirem a vala”, argumentam.A espera torna-se mais incompreensível quando recentemente as máquinas da câmara colocaram uma outra caixa de visita para resolver um problema idêntico a uns vizinhos. “Pagamos impostos como todos os outros, é uma injustiça obrigarem-nos a viver esta situação”, lamenta Alcindo Costa.Para Álvaro Maia é uma questão de agenda: “Já prometi que iríamos tratar do problema logo que seja possível, mas temos tido outros trabalhos prioritários”, contrapõe.Entretanto, há poucas semanas a Rua Dr. José Maria Dantas Sousa Baracho Jr., onde se situa a casa de Alcindo Costa, foi repavimentada. Ou seja, se a obra for feita em tempo útil é trabalho deitado fora: “O pavimento não é da minha responsabilidade, mas as coisas têm que andar, não podem esperar umas pelas outras”, argumenta o técnico.E o drama de Alcindo Costa agora ainda é maior: “Se chover nem sequer podemos levantar a tampa da caixa do esgoto, temos de levar com toda a porcaria na garagem”, conclui.Margarida Trincão

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...