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Rodoviária zangada com concorrência das câmaras

Rodoviária zangada com concorrência das câmaras

O alargamento do serviço de transportes urbanos do Cartaxo e de Torres Novas está a provocar a irritação da Rodoviária do Tejo. A empresa é parceira das autarquias, fornecendo os motoristas, mas não quer continuar a ser uma mera alugadora de mão-de-obra a quem lhe pode fazer concorrência.

Edição de 19.01.2005 | Sociedade
A Rodoviária do Tejo (RT) não está disponível para continuar a trabalhar com as autarquias nos sistemas de transportes urbanos municipais, nos moldes em que estão a funcionar. Orlando Ferreira, administrador executivo da operadora, garante que a RT vai cumprir os contratos em vigor, mas não está disposta a continuar a ser uma mera empresa de aluguer de motoristas.Esta posição da empresa surge na sequência do alargamento dos serviços de Transportes Urbanos de Torres Novas (TUT) e do Cartaxo (TUC) para fora da zona urbana. Uma situação que, considera, está a delapidar o património da empresa que é a concessão da área onde pode operar. A RT tem sede em Torres Novas e efectua serviço de transporte em toda a região e ainda até às zonas de Pombal, Portalegre e Lisboa.Em causa estão os modelos do protocolo que a rodoviária fez com as autarquias de Torres Novas e Cartaxo e que se prepara para assinar com as de Entroncamento e Almeirim. Cidades que preparam a introdução dos serviços de transportes urbanos (ver texto nesta edição). Neste regime, as câmaras fornecem os autocarros (financiados até 65 por cento do seu valor pela Direcção Geral dos Transportes Terrestres), definem os percursos e os tarifários. A Rodoviária do Tejo assume a manutenção das viaturas e fornece os motoristas. Em contrapartida recebe uma verba do município. No caso de Almeirim, para um serviço entre as 07h30 e as 20h00, durante a semana, e das 08h00 às 14h00, ao sábado, a empresa cobra quatro mil euros mensais. Ao alugar apenas motoristas, diz o administrador, estamos “a ajudar a que nos matem quando já estamos doentes”. Orlando Ferreira, que assume ter boas relações com as autarquias, diz que para os novos contratos e após terminarem os que estão ou vão entrar em vigor, a empresa apenas está disponível para prestar serviços completos. “Se um município quer ter transportes urbanos, define o modelo e as características de funcionamento e vai ao mercado perguntar quanto custa”, sublinha.Orlando Ferreira diz que a empresa está preparada para fornecer os autocarros que as autarquias quiserem, com as cores que pretenderem. “O resto - tarifas, paragens e circuitos – não é da nossa conta”, acrescenta. O administrador diz ainda que a RT, no caso de Torres Novas, vai perder milhares de euros por ano com o alargamento dos TUT para a freguesia de Riachos. Dentro das cidades, as autarquias são soberanas quanto à definição do tipo de transporte que pretendem. Fora dessas zonas, os transportes são assegurados pela operadora, neste caso a Rodoviária do Tejo. Mais nenhuma outra empresa pode operar dentro das concessões definidas pelo Estado sem o consentimento da transportadora. Reconhecendo que a implementação dos TUT e dos TUC tem sido um sucesso, Orlando Ferreira considera que é “absurdo fazerem-se estas tentativas de alargar transportes urbanos para as freguesias, porque lá estamos nós. E até podem considerar que o serviço da RT não é o melhor”, comenta.O administrador executivo da RT acrescenta que “ter mais um autocarro ou mais uma paragem é uma maneira dos presidentes de câmara angariarem mais votos”. E termina dizendo: “Estamos zangados porque as autarquias, que não têm vocação para empresa de transportes, estão a estragar-nos sítios com alguma rentabilidade”.
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