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Edgar Alves esperou quatro anos para ser juiz

Ex-jogador do Amiense lidera equipa de 69 elementos que organiza as festas de Amiais

O juiz das festas é a figura principal de um grupo que tem como função organizar tudo o que diz respeito aos festejos em Amiais de Baixo. Este ano o juiz será Edgar Saldanha Alves, ex-jogador e capitão da equipa de futebol do Amiense, que vai liderar um grupo composto por 69 elementos.

Edição de 26.01.2005 | Cultura e Lazer
Actualmente com 33 anos, Edgar Alves propôs-se para juiz das festas de Amiais de Baixo em 2000 e foi aceite. A antecedência da proposta justifica-se com o facto de haver muitos interessados. Para se ter uma ideia, já há juízes escolhidos até 2015. Um cenário bem diferente do que se viveu há alguns anos em que só perto das festas é que se encontrava quem quisesse assumir a responsabilidade.Por tradição, quem se propunha a juiz era alguém que tinha filhos entre os dois e os quatro anos. Agora já não há tanto rigor nesse pormenor, o que também facilita a escolha. Quando se propôs a juiz, Edgar, que agora tem uma menina de quatro anos, não tinha sequer filhos.O primeiro acto simbólico do novo juiz é receber a bandeira de quem o antecedeu na função. A cerimónia realiza-se todos os anos na segunda-feira das festas. Entretanto escolhe-se o escrivão e aos poucos vão surgindo os festeiros. Edgar Alves diz que este ano se encontrou uma equipa muito jovem. A maior parte dos festeiros foi contactada já há 3 ou 4 anos. Alguns desistiram mas outros continuaram fiéis à promessa.É esta equipa que está a trabalhar desde Fevereiro do ano passado, assim que terminaram as festas de 2004. Uma das suas primeiras funções foi angariar publicidade para as rifas, uma das principais fontes de receita das festas. Ao todo, entre mais de 430 patrocinadores e milhares de rifas vendidas já se conseguiram perto de 75 mil euros.Para se ter uma ideia da responsabilidade de organizar as festas, e embora ainda não haja um valor exacto, Edgar estima que este ano os festejos custem mais 20 por cento que no ano passado, em que as despesas rondaram os 115 mil euros. O mesmo é dizer que este ano poderão chegar aos 140 mil euros (perto de 28 mil contos).O trabalho aumentou desde o início do ano. O pavilhão das festas, que este ano ficará numa antiga cerâmica junto à nova variante da vila, está a ser preparado para receber os visitantes e os artistas. É a primeira vez que as festas se vão realizar naquele espaço, com cerca de 2.500 metros quadrados, que Edgar estima ter capacidade para 6 a 7 mil pessoas.A escolha dos artistas é sempre das situações que provoca maior polémica. Entre dezenas de opiniões dos membros da equipa organizativa e de sugestões de empresários, há que tomar opções que, como é natural, raramente geram consenso.Entre as novidades para este ano, Edgar Alves destaca a decoração das ruas da vila, que aumentou quase três vezes, e o espectáculo pirodigital de sábado, com fogo de artifício, que, pela primeira vez em Amiais, vai ser todo comandado com recurso a computadores, prometendo coreografias de belo efeito. Para os quatro dias de festa, vão ser gastos perto de trinta mil euros só em fogo de artifício.O juiz das festas nesta altura é a pessoa mais solicitada da terra. Mais até que o presidente da junta. Uma situação que causa bastante desgaste e que relega a família para segundo plano. “Há dias em que só vejo a minha filha de manhã porque a noite é passada até às tantas a preparar a festa”, refere Edgar Alves.É também uma função polémica e está-se sempre sujeito a ouvir muita coisa. “A equipa é muito nova e há quem preferisse que corresse mal para depois poder falar mal. Mas acho que a maioria do povo de Amiais vai estar connosco. Sou amigo de todos, fui jogador e capitão do Amiense, sou vice-presidente da Casa do Povo, e acho que tenho a amizade de todos”, acrescenta o juiz.

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