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Uma tarde de emoções para o trovador de Riachos

Uma tarde de emoções para o trovador de Riachos

Pedro Barroso homenageado pelos 35 anos de carreira artística

Os 35 anos de carreira de Pedro Barroso foram assinalados em Riachos, terra natal do seu pai e onde reside. O poeta e cantor elogiou a simplicidade e criticou as palhaçadas em palco.

Edição de 26.01.2005 | Cultura e Lazer
Foi de uma forma singela que o Museu Agrícola de Riachos, Torres Novas, homenageou sábado Pedro Barroso, pelos seus 35 anos de carreira. A melhor forma de premiar um homem que se considera simples. Que respeita o palco como lugar de culto. Que se entristece com artistas que, para se afirmarem, têm que fazer palhaçadas. Completar 35 anos de carreira artística não é para todos. E, como o próprio diz, os Zé Cabra da música duram pouco tempo. Perante uma sala cheia de amigos, de vizinhos, familiares e músicos, o cantor começou por dizer que ia levar as coisas para a brincadeira para evitar a lágrima ao canto do olho. Mas não as conseguiu prender quando falou da sua mulher, a sua companheira de há 20 anos. É ela, disse, que potencia a criatividade e a loucura que depois são transformados em música. Pedro Barroso, que com poucos dias foi com os pais para Riachos, onde ainda reside, falou de alguns episódios da sua vida. Mas também deixou escapar críticas ao panorama artístico actual. Afirmou incomodar-se sempre que vê “um parvalhão em cima de um palco a fazer de parvo. Isso pode ter graça algum tempo, mas não vai ter toda a vida. Fazendo jus à simplicidade com que encara a vida e com que se relaciona com os outros, Pedro Barroso criticou ainda aqueles que se armam em arrogantes porque pensam que assim são mais importantes. “O intelectual em Portugal pensa que quanto mais chato for mais intelectual é e mais considerado vai ser”, sublinhou. A terminar disse que só sabe ser emocional. Considera-se um homem com emoções à flor da pele. É por isso que quando está no palco gosta de estar com o público olhos nos olhos, sem mentiras. “Não é a benzer-me e a andar aos pulinhos como o Roberto Leal”. Pedro Barroso nasceu em 1950 em Lisboa, apesar do pai ser natural de Riachos. A sua carreira de cantor e autor começa em 1969 no programa televisivo Zip-Zip. Um ano mais tarde grava o seu primeiro disco a que chamou “Trova-dor”. Durante alguns anos integra o Teatro Experimental de Cascais e dirige actividades e lecciona no Orfeão Académico de Lisboa. Apesar da veia artística, licencia-se em Educação Física, disciplina de que foi professor durante 23 anos. Chegou a tirar uma pós-graduação em Psicoterapia Comportamental, tendo trabalhado na área da saúde mental e musicoterapia. Foi pioneiro neste método no ensino de crianças surdas numa escola em Lisboa. Nos 35 anos de carreira já passou por grandes salas de espectáculo em vários países, desde a Alemanha ao Brasil. Passou pela Bélgica, Canadá, Estados Unidos da América e esteve na China, entre muitos outros. Em 2002 foi o autor do polémico manifesto sobre o estado da música portuguesa. A sua acção originou uma onda de reflexão do país sobre os seus autores, envolvendo os grupos parlamentares e o Presidente da República. Para além da música, com cerca de 30 discos editados, tem publicado também poesia, como “Cantos falados” em 1996 e “das Mulheres e do Mundo”, livro editado por O MIRANTE em 2003. Aplica ainda a sua criatividade nas artes plásticas, com vários trabalhos de desenho e escultura, usando o heterónimo Pedro Chora. Pedro Barroso é considerado um dos últimos trovadores, que nasceu no seio de um movimento que José Niza chamou movimento das baladas. E no qual cabiam também as canções de intervenção. No ano passado lançou o CD “Navegador do Futuro”.
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