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“Pensava que a censura tinha acabado em 1974”

Árbitro José Manuel Ramos não quer voltar enquanto António Rola estiver à frente do Inatel

José Manuel Ramos leva quase trinta anos de arbitragem, os mesmos que Portugal vive em liberdade. É árbitro do Inatel há oito anos depois de cerca de vinte a apitar jogos da Associação de Futebol de Santarém mas, três décadas depois da Revolução de Abril de 2004, diz que está a ser castigado por ter vindo para a comunicação social mostrar o seu descontentamento por ele e os seus companheiros estarem há dezoito jogos sem receberem as compensações a que têm direito.

Edição de 26.01.2005 | Desporto
Desde que deu a entrevista a O MIRANTE, na edição de 30 de Dezembro, em que se referia ao tema atrás referido, José Ramos nunca mais apitou nenhum jogo. Inclusive estava nomeado para apitar um jogo na jornada seguinte e foi desnomeado por carta registada, o que nunca lhe tinha acontecidoRamos acusa o delegado distrital do Inatel de Santarém, António Rola, de ter dado indicações para que fosse desnomeado pelo que disse ao nosso jornal. Recorde-se que José Manuel Ramos mostrou ainda na mesma entrevista discordância com o facto da nova tabela de compensações a aplicar esta época, emanada da direcção nacional do Inatel, colocar os árbitros a andar os primeiros 20 quilómetros das deslocações para os jogos de borla, ou seja, as deslocações para os jogos, só começam a contar depois de andarem 20 quilómetros.António Rola que tinha desculpado o atraso no pagamento das compensações, precisamente por ter feito uma exposição à direcção nacional, em relação a esta cláusula, não terá gostado que o árbitro viesse para a opinião pública divulgar a questão, e a primeira decisão que tomou foi comunicar por carta registada, que Ramos estava desnomeado do jogo Granho-Vale de Paraíso, para que tinha sido anteriormente escolhido.José Manuel Ramos, que diz já vinha a sentir há algum tempo que não era figura grata para o delegado do Inatel, por acaso também um ex-árbitro de futebol, não aceitou a forma como estava a ser tratado. “Pensava que a censura tinha acabado com o 25 de Abril de 1974, mas afinal isso ainda não chegou para toda a gente, e o António Rola mostrou que não sabe viver em democracia”, referiu o árbitro.Por isso, antes de ser castigado ou expulso, José Ramos pediu por carta a dispensa de arbitrar jogos do Inatel. “Enquanto António Rola for delegado do Inatel em Santarém, depois estarei de novo ao dispor da instituição”, esclarece.A questão do castigo ou da expulsão de José Manuel Ramos foi uma situação que, segundo o responsável pela arbitragem do Inatel, Manuel Abreu, nunca esteve prevista. “Apenas houve intenção de chamar o árbitro para esclarecer algumas situações, nunca foi alvitrado qualquer castigo”, garantiu, acrescentando que ele só não está a actuar porque pediu dispensa enquanto este delegado estiver à frente da delegação.Contudo José Manuel Ramos, triste com o que se está a passar, e impedido de continuar a desenvolver uma actividade de que tanto gosta, garante que já recebeu algumas palavras de solidariedade de muitos dos seus companheiros, e sente alguma satisfação. “Pelo menos contribuí para que todos recebessem o que lhes era devido”, referiu.O MIRANTE tentou obter uma reacção de António Rola a estas declarações mas, mais uma vez, o delegado distrital de Santarém do Inatel, recusou-se a responder a qualquer questão, justificando que não fala para o nosso jornal.

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