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Vergonha

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Adeptos do União de Santarém e Amiense envolveram-se em cenas de pancadaria

O Campo Chã das Padeiras, em Santarém, foi palco este domingo de cenas de autêntica selvajaria que envolveram adeptos da equipa local e do Amiense, e que originaram vários feridos. Murros, pontapés, empurrões e até agressões à polícia foram algumas das cenas tristes que ocorreram nas bancadas e que em nada beneficiam a já tão degradada imagem do futebol.

Edição de 26.01.2005 | Desporto
Dentro das quatro linhas as duas equipas defrontavam-se num jogo a contar para a primeira jornada da segunda volta do Campeonato Distrital da Primeira Divisão. Estavam decorridos cerca de dez minutos da segunda parte, o União de Santarém vencia por uma bola a zero quando, sem se perceber bem porquê, pelo menos para quem estava com os olhos postos no jogo, alguns adeptos do Amiense entraram na zona onde estava a claque Ultras UDS, afecta à equipa da casa e composta, na sua maioria, por miúdos entre os 14 e os 18 anos.De um momento para o outro, começaram os empurrões, que rapidamente passaram a murros e a pontapés. A maior parte dos elementos da claque escalabitana conseguiu saltar o muro lateral da bancada e fugir do local, mas os que não tiveram essa sorte foram agredidos violentamente por adeptos do Amiense, que apesar do jogo se realizar em Santarém estavam em maior número.Ao aperceberem-se da gravidade das agressões jogadores de ambas as equipas e vários adeptos do Amiense tentaram serenar os ânimos, mas as agressões continuaram e a polícia foi obrigada a saltar o muro e entrar na bancada para tentar acabar com a pancadaria.Mas nem assim. Vários adeptos do Amiense cercaram os polícias, tendo um agente da PSP, que entretanto tentara puxar do cacetete e fora agredido, utilizado gás pimenta, o que exaltou ainda mais os ânimos de alguns elementos afectos à equipa de Amiais de Baixo.Perante a passividade da maioria dos restantes polícias, só a intervenção de alguns adeptos mais calmos do Amiense permitiu serenar os ânimos. Foram eles que impediram que os conterrâneos mais exaltados entrassem em campo para ajustarem contas com o agente que utilizou o gás.O jogo só recomeçou cerca de vinte minutos depois de terem começado as agressões e após o comandante da força policial presente no campo de futebol - composta por sete elementos, e que entretanto recebeu três reforços - ter garantido que estavam reunidas as condições de segurança necessárias.No final do jogo, O MIRANTE tentou apurar o que terá despoletado aquelas cenas de violência que mais pareciam de um país sul-americano, mas as versões não foram coincidentes. Os adeptos do Amiense queixam-se de terem sido ofendidos verbalmente pelos elementos da claque escalabitana, enquanto estes garantem que foram alguns adeptos de Amiais que lhes tentaram tirar o tambor e as bandeiras porque não queriam ali barulho.Duas coisas são no entanto certas: por um lado, nada justifica cenas vergonhosas como as que se passaram nas bancadas, por outro é um facto que foram adeptos do Amiense que entraram na zona onde estavam os adeptos do Santarém desde o início do jogo. Refira-se ainda que a grande maioria dos cerca de vinte adeptos da claque eram apenas miúdos. As fotos falam por si.Comandante da PSP apoia agente que usou gás pimenta“Preferiam que ele usasse o cacetete e abrisse umas cabeças?”Questionado pelo nosso jornal sobre os desacatos que se registaram no Chã das Padeiras e sobre a actuação policial, o comandante da PSP de Santarém, superintendente Levy Correia, desdramatizou a gravidade dos incidentes e apoiou a postura dos seus agentes, nomeadamente na utilização do gás pimenta, que provocou a ira dos adeptos do Amiense.“O gás pimenta é perfeitamente legal quando utilizado pelas forças de segurança. Entrou em Portugal na altura do Euro 2004 como uma ferramenta para a polícia combater desacatos”, explicou Levy Correia.O comandante da PSP de Santarém diz no entanto que durante o Euro, mesmo em jogos de alto risco como o Inglaterra – Alemanha, países onde o fenómeno do holiganismo está bem presente, nunca foi preciso usar deste meio dissuasor, sendo por isso lamentável que num jogo dos distritais os adeptos tenham obrigado a polícia a recorrer ao gás.“Se foi utilizado é porque os adeptos ultrapassaram os limites”, justifica em defesa do agente. E questiona: “preferiam que ele usasse o cacetete e abrisse umas cabeças?”. O superintendente garante que o gás não tem qualquer dano prejudicial para a saúde. O seu principal efeito é retirar capacidade de reacção, pode provocar ardor nos olhos e eventualmente alguns vómitos, mas os efeitos desaparecem uns minutos depois e não deixam consequências.Sobre a força presente no local, Levy Correia garante que os elementos eram mais que suficientes. Dos sete agentes, três tinham por missão salvaguardar a integridade física da equipa de arbitragem e dos restantes agentes desportivos, enquanto os outros quatro estavam no local para assegurar o controlo da multidão. “As regras apontam para um agente para cada 400 pessoas, por isso eram mais que suficientes”, explica.O comandante da PSP diz que apesar das agressões nenhum agente teve de receber tratamento hospitalar. A polícia também não recebeu qualquer queixa de agressão mas vai fazer um inquérito sobre os incidentes, que vai enviar para a Associação de Futebol de Santarém e para a Federação Portuguesa de Futebol, entidades que terão posteriormente de decidir eventuais castigos a aplicar.
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