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Vilafranquense deve dois milhões de euros

Vilafranquense deve dois milhões de euros

Comissão administrativa encontrou uma dívida astronómica

A dívida do Vilafranquense está nos dois milhões de euros. Um valor gigantesco que foi revelado esta sexta-feira na assembleia-geral que pretendia eleger uma nova direcção, mas da qual saiu unicamente uma comissão administrativa, que assume funções apenas até Maio. João Conde é o novo líder de um clube onde até o bingo dá prejuízo.

Edição de 26.01.2005 | Desporto
A União Desportiva Vilafranquense deve cerca de dois milhões de euros. Um número astronómico revelado por Luís Feijão, membro da anterior comissão administrativa do clube, que lidou com a área económico-financeira. O montante refere-se a dívidas ao fisco, segurança social, jogadores e fornecedores.Uma situação deveras preocupante, tanto mais que o clube consegue apenas angariar receitas na ordem dos 11 mil euros. “O que não dá sequer para manter a actividade”, referiu Luís Feijão na assembleia-geral realizada sexta-feira à noite na sede da popular colectividade de Vila Franca de Xira.A situação vai ao ponto do clube ter o telefone cortado por falta de pagamento e de não conseguir saldar essa dívida. Durante os cerca de dois meses da gerência, a comissão administrativa conseguiu arrecadar 40 mil euros de receitas dos 85 mil euros inicialmente propostos, enquanto as despesas ascenderam praticamente ao mesmo valor.Neste período o clube recebeu donativos de cerca de cinco mil euros e um empréstimo de quatro mil euros (de João Conde), além de cerca de cinco mil euros da Câmara de Vila Franca, verba reduzida em 25 por cento, que é entregue à Segurança Social, por dívidas do clube.A equipa de futebol tem três meses de ordenados em atraso, ainda que se tenha pago o mês de Agosto e alguns prémios de jogo. Apresentando-se o mesmo figurino em relação a massagistas e vigilantes do pavilhão. Foi ainda possível chegar a acordo com Semeano, um ex-jogador que tinha colocado o clube em tribunal, o que permitiu inscrever jogadores na Federação Portuguesa de Futebol.De resto não há quase nenhum departamento que não dê prejuízo. Segundo Luís Feijão, o hóquei gasta o dobro do que pode e há subsídios em atraso a jogadores e técnicos. Campo do Cevadeiro e pavilhão também dão prejuízo, enquanto o novo estacionamento do clube “vale” apenas cerca de mil euros de receita.Recorde-se que o Vilafranquense, além do futebol e do hóquei, tem ainda as secções de naútica, basquetebol, judo, patinagem e kick-boxing.De bingo só o nomeÉ difícil de acreditar mas o bingo do Vilafranquense apresentou, em 2004, um prejuízo de quase 100 mil euros. Uma situação incomportável para o clube mas que João Conde, que vai liderar a comissão administrativa até Maio (ver caixa), considera que é possível reverter através de racionalização de meios.João Barroca, elemento da comissão administrativa cessante, está encarregue de se encontrar com Eduardo Rodrigues, um dos gestores da Diverling, a sociedade criada para gerir o bowling e máquinas de jogos, em conjunto com a empresa Circuitos Fechados.Cada qual detém 25 por cento da sociedade, cabendo os restantes 50 por cento ao Vilafranquense. O clube fica apenas responsável pela exploração do bingo mas não parece valer de nada, já que os prejuízos são elevados. Recorde-se que, como O MIRANTE referiu na edição de 4 de Novembro de 2004, o Vilafranquense está a ser investigado pela PJ e pelo fisco. Em causa está a aplicação das verbas transferidas pela câmara e uma alegada fuga ao fisco. Na altura, para tapar alguns buracos, a direcção presidida por Machado Lourenço (2003) pediu a antecipação de subsídios da câmara e recebeu 300 mil euros quando o montante deveria ser distribuído por três exercícios de 2003 a 2005.A presidente da câmara, Maria da Luz Rosinha, veio a público dizer que todos os subsídios foram transferidos mediante protocolos e que a antecipação dos pagamentos foi feita a pedido da direcção e que as contas da câmara foram aprovadas pelo Tribunal de Contas que não questionou qualquer das operações que envolveu o clube e as obras financiadas pela câmara.
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