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Perspicaz Manuel Serra D’Aire

Edição de 26.01.2005 | E-mails do outro mundo
A campanha eleitoral está aí, como tu sabiamente recordas no teu último escrito. Os cartazes do Santana, do Sócrates, do Louçã, do Jerónimo e do Portas vão inundar rotundas e avenidas apelando ao voto com fotografias e frases muito pouco imaginativas. Já é tempo dos candidatos aprenderem a fazer passar a sua mensagem se querem ter votos. Não é com o aumento das reformas ou os salários ou a baixa dos impostos que lá vão, porque ninguém acredita nisso. A única excepção ao aflitivo deserto de ideias é da responsabilidade do candidato do CDS por Santarém, que até é secretário de Estado dos Assuntos do Mar. Nuno Fernandes Thomaz (que até no apelido é original) quer inundar o Ribatejo com hotéis e campos de golfe. Estou desconfiado que, devido ao cargo governamental que ocupa, o homem pensa que Santarém é a capital do Algarve e que Tomar é Albufeira, mas isso pouco importa… O que interessa é que cumpra as suas promessas e que, por arrastamento consiga mandar para cá uns contentores de camónes para darem outra cor ao ambiente. E, para não me acusarem de sexismo, que venha também o Zezé Camarinha, o garanhão algarvio.O homem é também um grande defensor das tradições e enumerou algumas, como as touradas e as procissões. Concordo com ele. Mas como também é preciso inovar sugeria-lhe que apostasse na mudança de fatiota dos forcados equipando-os com opas em lugar daquelas jaquetas yéyé cheias de flores e brilhantes. Os anos 60 já lá vão há muito e dava uma pitada de religiosidade ao espectáculo que cairia bem na plateia. Manel, agora algo completamente triste. Deixámos passar em claro, numa indesculpável desatenção, um pequeno comentário que fosse sobre aquela senhora que quis trocar o vibrador na loja onde o tinha comprado, porque o material era grande demais. E se digo que falhámos não é a pensar na gozação que o assunto pode motivar nas mentes mais perversas (o que não é o nosso caso) mas sim pela gravidade de que se reveste tal episódio. É caso para perguntar onde estão os direitos dos consumidores? Se um tipo compra uma camisa larga pode trocá-la. Se uma mulher se farta do marido pode rifá-lo ou ornamentar-lhe a testa. Se um magano compra um carro com defeito pode exigir a sua reparação. Se um primeiro-ministro não sabe da poda, o Presidente da República manda-lhe uma carta de despedimento. Mas se uma pacata senhora de meia-idade se engana no tamanho do vibrador porque se equivocou a tirar as medidas, vai ter que gramar com ele para toda a vida, sabe-se lá com que sacrifícios. Ora aí está uma questão escorregadia que os políticos deviam estudar com mais profundidade. O pessoal quer lá saber da regularização do Tejo, das comunidades urbanas e outras tretas que tais. Falem ao coração do povo. Prometam a obrigação de troca para os vibradores grandes demais, para as bonecas insufláveis acanhadas e para outros artigos do género. Porque isso, sim, mexe com as entranhas do povão. Ou pelo menos de algum. Daqui lanço o meu apelo aos políticos: pensem no problema do vibrador e agarrem-no, se necessário, com ambas as mãos. E não pensem em metê-lo na gaveta.Um abraço vibrante do Serafim das Neves

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