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A freguesia que cresceu à beira da estrada

A freguesia que cresceu à beira da estrada

Casais, no concelho de Tomar, tem 36 aldeias e lugares

Casais é uma freguesia de bons ares e bonitas paisagens composta por 36 lugares. A falta de saneamento básico é o principal problema e só há promessa de obras para 2006. Para um futuro próximo está também programada as construções de um centro escolar, de um centro de saúde e de um lar de idosos.

Edição de 26.01.2005 | O poder local aqui tão perto
Da freguesia de Casais sabe-se que remonta ao século XV e foi fundada pela Ordem de Cristo, por desanexação da freguesia de Areias, antiga Arenas. Mas sobre a data exacta não existe nenhum registo na sede da junta e este tem sido um dos trabalhos dos actuais autarcas que, até à data, se mostrou infrutífero.“Andámos para todo o lado, fomos para a Torre do Tombo e ainda não encontrámos nada”, diz Jaime Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Casais. Dantes conhecida por Casais da Soianda ou Santa Maria dos Casais.Mas há aspectos sobre os quais não restam dúvidas. Casais, no cimo de uma colina, a norte do concelho de Tomar, é a sede de uma freguesia com cerca de 2.600 habitantes, dispersos por 36 lugares ao longo de uma extensão de 28 quilómetros quadrados. E, apesar de continuar a ser uma das maiores do município já foi muito maior. Chegou a integrar parte da actual freguesia de Pedreira, o lugar de Minjoelho (freguesia de Santa Maria dos Olivais) e todos os povoados da freguesia de Além da Ribeira, criada em 1985. No emaranhado de nomes dos lugares de Casais, alguns são bem curiosos. Assamassa, Calmaranho, Dejusta, Olas, Ganados, Soianda ou Valgamito são disso exemplo. Em termos de habitantes só três dos lugares desta freguesia têm poucas dezenas de habitantes. A maioria pode ostentar a designação de aldeia e há mesmo os que rivalizam com a sede da autarquia tanto em população como em importância.Calvinos, Torre ou Venda Nova são os maiores agregados populacionais. Este último, atravessado pela estrada nacional 110, é o mais central e, por isso, irá reunir os equipamentos sociais da freguesia, para além do centro de dia que já existe. Num futuro próximo será construído um lar para acolher os idosos mais necessitados e o centro escolar para todas as crianças da freguesia, do jardim-de-infância ao final do primeiro ciclo. Por último, prevê-se para a mesma aldeia a edificação de um centro de saúde que responda a todas as necessidades de saúde dos habitantes de Casais.Actualmente, a freguesia tem quatro escolas – Casais, Torre, Venda Nova e Calvinos – e três jardins de infância, nos locais onde estão instaladas as escolas do primeiro ciclo, à excepção de Calvinos. Também os equipamentos de saúde se dispersam por três aldeias – Casais, Soianda e Venda Nova. Apesar da dispersão dos lugares, Jaime Lopes afirma que não há problema com a deslocação dos habitantes das várias terras para a Venda Nova. A Rodoviária do Tejo passa em todas as aldeias e os transportes escolares são garantidos pela câmara. “A junta não tem qualquer responsabilidade nos transportes, mas pelo que sei não há razão de queixa”, continua o autarca.As famílias carenciadas – “uns 12 agregados familiares” – são apoiadas pela Cáritas de Casais e, segundo Jaime Lopes, igreja e poder político trabalham de mãos dadas na freguesia. No meio da serra, Casais sofre, como a maioria das terras rurais, com o problema da desertificação. A revisão do Plano Director Municipal poderá atenuar este abandono das aldeias. “É importante que se alargue a área urbana para fixar casais novos e também é importante que os donos das casas abandonadas não peçam tanto dinheiro por ruínas que acabam por cair”, desabafa o autarca.Quando Jaime Lopes fundou a Associação Cultura e Recreativa de Casais, em 1981, só duas das aldeias (Venda Nova e Casais) tinham água canalizada. Actualmente, a água chega a todas as torneiras e só três dos lugares continuam com as estradas em terra batida.A junta tem um orçamento de 118.580 euros a que se juntam as taxas cobradas pela licença dos cães e pelo cemitério. Não há outro tipo de proveitos. E competências delegadas através de protocolo com a câmara municipal foi coisa que Jaime Lopes nunca aceitou. “Gosto de fazer o que é necessário sem que sejam outros a mandar”, diz. E pelos vistos a obra não tem ficado por fazer. Com a ajuda de todos foi possível reconstruir a igreja de Casais, inteiramente consumida pelas chamas, as fontes e os largos da freguesia. Menos bem está o saneamento. Só a sede da freguesia tem os colectores instalados e pouco a pouco os particulares vão ligando os ramais. Nos restantes povoados há a promessa do presidente da câmara, António Paiva, de que as obras podem começar em 2006. “Vamos ver como será, a promessa foi feita porque ele também é presidente das Águas do Centro, a empresa que se encarrega de fazer estas infraestruturas e não como presidente da câmara”, esclarece Jaime Lopes não se esquecendo que as eleições autárquicas são em Outubro de 2005 e o cenário político pode mudar.Muitas das aldeias de Casais cresceram em torno da estrada nacional e a restauração constitui uma das fontes de rendimento dos seus habitantes. Outras das entidades empregadoras são as oficinas de automóveis e de serração de mármores e também a fábrica de papel do Prado, situada na vizinha freguesia da Pedreira. A restante população activa trabalha, principalmente, em Tomar. A agricultura é de subsistência, as parcelas são pequenas e as que se cultivam é para consumo familiar, embora a água jorre das fontes e nascentes e a terra seja fagueira.Margarida Trincão
A freguesia que cresceu à beira da estrada

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