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“Estado não pode poupar no sistema educativo”

“Estado não pode poupar no sistema educativo”

Presidente do Politécnico de Santarém alerta em seminário sobre o processo de Bolonha

A aplicação das licenciaturas de três anos em Portugal não deve ser justificação para o Estado se “demitir” das suas obrigações, investindo menos no ensino superior, diz o presidente do Instituto Politécnico de Santarém, Jorge Justino.

Edição de 26.01.2005 | Sociedade
O presidente do Instituto Politécnico de Santarém (IPS), considera que a aplicação das directivas do chamado Processo de Bolonha pode correr bem em Portugal se um conjunto de riscos for evitado. Aludindo à prevista redução da duração das licenciaturas para três anos, Jorge Justino lembra que a medida vai levar à redução do número de alunos no sistema educativo, mas não deve com isso conduzir à “poupança de uns cobres com o sistema educativo” por parte do Estado.Outro “risco” será, para o líder do IPS, a falta de financiamento do segundo ciclo do ensino superior - os mestrados. Que terá graves consequências para os politécnicos no que toca à contratação de professores. “Vamos mudar os professores de uns mestrados para outros com recurso a formação intensiva?”, questionou, recordando ainda o dispêndio que um mestrado representa para os candidatos.Na sessão de abertura do seminário sobre o processo de Bolonha, que contou com a presença do secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Paulo Sucena, e do presidente do Sindicato de Professores da Grande Lisboa, Augusto Figueiredo, Jorge Justino deixou o alerta para a forma como se está a gerir a aplicação das directivas de Bolonha em Portugal.Paulo Sucena salientou a importância do processo quando está em causa a qualificação dos portugueses de todos os quadrantes. Na sua opinião, o ensino superior é sinónimo de investigação. Uma área onde o Estado deve assumir as suas responsabilidades. “Num país onde existe um fraco poder de compra, e havendo um primeiro ciclo de três anos, as famílias vão ter dificuldades em suportar a formação em mestrados, por mais dois anos. E, muitas vezes, sem respostas da actividade económica para absorver esses recursos humanos”, sustentou. Para o líder da Fenprof, o governo que sair das eleições de 20 de Fevereiro deve rever a lei que gere o ensino superior público e os politécnicos, “assim como não congelar o seu financiamento até 2007, como está previsto”, alertouO presidente do IPS considera que a introdução do processo de Bolonha só pode correr bem se não existirem pressões políticas e que o sistema não seja imposto às instituições de ensino. “Nesse caso, as instituições estarão adaptadas e teremos boas perspectivas”, concluiu Jorge Justino.
“Estado não pode poupar no sistema educativo”

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