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Poetas do Ribatejo querem associação

Poetas do Ribatejo querem associação

IV encontro organizado pela câmara de Benavente
Edição de 02.02.2005 | Cultura e Lazer
Os poetas populares da região querem criar uma associação que lute pela divulgação do seu trabalho. A vontade foi manifestada no IV Encontro de Poetas Populares do Ribatejo realizado no sábado, em Samora Correia. A ideia é interessante mas, como lembrou Domingos Lobo, animador cultural da Câmara Municipal de Benavente, entidade organizadora do encontro, terá que ser concretizada pelos interessados. Preocupações com a fraca divulgação da poesia popular estão na origem da vontade de criar uma associação. No encontro voltaram a ouvir-se críticas aos meios de comunicação social por não dar espaço aos poetas. “Jornais e rádios poderiam criar cantinhos da poesia. Não era necessário muito tempo de antena ou espaço e era importante para nós”, defendeu João de Brito, poeta popular do Cartaxo.As editoras também não se mostram interessadas. Os livros de poesia popular são quase sempre edições de autor. As raras excepções partem de câmaras municipais que quando não editam se disponibilizam para comprar alguns exemplares.Poucos são os livros que conseguem ser vendidos nas livrarias ou papelarias. Habitualmente, são os próprios escritores que vendem os livros. Por isso, as publicações não costumam ultrapassar os 500 exemplares por edição. Excepção à regra parece ser a de António Veríssimo, de Samora Correia. Ele foi outras das referências do encontro por já ser considerado um recordista de vendas. Escreveu “Estrada da Vida”, “Lince de Có”, “De Sol a Sol” e “Diversos”. Os quatro livros, cujo último – garante - teve uma tiragem de 15 mil exemplares, já foram quase todos vendidos. Mas não se pense que as vendas são feitas em livrarias. É o próprio autor que anda de terra em terra a vender as suas obras. Interpela as pessoas nas ruas e no comércio, fala dos livros, e consegue vendê-los. Conta que sempre que sai de casa leva consigo os livros no carro, e raras são as vezes que não consegue vender nenhum. “Até já consegui vender um livro a um chinês”, diz com orgulho. O preço de capa ajuda à difusão das suas obras. Um euro e meio por exemplar.Poesia popular não é só para velhotes O facto de ter trabalhado toda a sua vida nos serviços administrativos de uma escola, poderá ter sido um estímulo para que José Penalva, pseudónimo de José Campos Antunes, começasse a escrever. O poeta popular é de Vila Nova de São Pedro (Azambuja), mas reside em Rio Maior há 30 anos. Os seus poemas retratam normalmente histórias sentimentais de vida e vivências da guerra colonial, mas também escreve “poesia cómica e marota ao bom estilo de Bocage”.Para aqueles que pensam que só os velhos iletrados são poetas populares, este encontro serviu também para demonstrar o contrário. A poesia popular é também um assunto que apaixona os mais novos. Jorge Carola foi o poeta popular mais novo a participar neste encontro. Com apenas 24 anos, a residir em Samora Correia, diz que não consegue passar sem escrever. “A poesia é um refúgio e eu escrevo para desabafar”, confessa.Como muitos dos seus poemas falam de amor e paixão, a dor, não é de admirar que em determinada altura uma amiga se tenha apaixonado por ele. O primeiro livro deste admirador de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos foi editado no domingo.Não há limite de idade para se escrever. Basta estar-se lúcido e gostar de fazê-lo, defendem os escritores. Um desses casos é o de João Sabino que aos 83 anos de idade parece imparável. O poeta popular de Benavente, foi a pessoa mais velha a participar neste encontro. Apesar de se encontrar no Outono da vida, o poeta não pára de escrever. Nos últimos três anos, publicou três livros (“Versos do Coração”, “Pão de Versos”, “Frutos do Outono”), e já os vendeu quase todos. O seu próximo livro, revela, será uma autobiografia. Diz que tem sido incitado pelos amigos a avançar com esse projecto.Mário Gonçalves
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