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Incensurável Serafim das Neves

Edição de 02.02.2005 | E-mails do outro mundo
Concordo contigo, o problema das trocas de vibradores nas sex-shops é um bom exemplo para mostrar como se acentua de dia para dia o afastamento dos eleitores dos políticos. Os candidatos a deputados assobiam para o ar quando lhes aparece alguém como a senhora a quem o vendedor recusou trocar o tal vibrador Xis Xis Éle por um mais maneirinho. Assobiam mas não deviam assobiar. O único assobio que deveriam emitir era de admiração perante o avantajado instrumento de látex, mas para cumprirem a sua missão capazmente ouviam a história até ao fim. Ouviam e agiam. Apresentavam de imediato um requerimento ao Governo ou uma proposta de lei. No mínimo levavam o assunto à comissão de direitos liberdades e garantias, ou a uma outra qualquer. Uma senhora em desespero por causa de um vibrador quer lá saber da inceneração de resíduos perigosos ou do aumento dos impostos. E o mesmo se passa com outras questões que arreliam os cidadãos. O tamanho das doses nos restaurantes, por exemplo. Algum Deputado, Ministro, Secretário de Estado, Chefe de Gabinete se preocupa com o tamanho das doses nos restaurantes?! Ninguém, Serafim. Desdenham dos reais problemas do povo e depois queixam-se da abstenção. Mas há mais. O tempo de duração das voltas dos carrocéis; o pão utilizado nas sandes de coirato à porta dos estádios; o preço exagerado dos preservativos, eu sei lá. Porque é que nenhum partido propõe a tolerância de ponto às segundas-feiras de manhã? Porque é que a Segurança Social não comparticipa as consultas com astrólogos?! Porque é que não há crédito pessoal bonificado para quem queira passar férias num destino exótico de forma a aumentar o seu nível cultural? Porquê??!! Tanta coisa para fazer neste país e aqueles tipos só falam de contenções orçamentais, inceneração de resíduos tóxicos e casamentos de homosexuais. Mas quem é que quer saber dessas merdas??!!!Mas não são só os políticos a ignorarem os problemas do povo. A polícia vai pelo mesmo caminho. Vê lá só o que aconteceu no mercado do Entroncamento o sábado passado. O comandante Levy Correia entrou por ali dentro com centena e meia de homens armados e apreendeu sete mil DVD e cinco mil peças de roupa. Um desbaste do caraças num mercado que fornecia aquela população a baixo custo. Tu já imaginaste as repercussões que aquilo vai ter a nível social e cultural. Milhares de pessoas impedidas de aceder a filmes de qualidade a custo popular. Obrigadas a andar andrajosas porque não há dinheiro que chegue para vestir uma família num pronto a vestir daqueles com montra de vidro e tudo.A polícia não pensou nos traumas que vai causar às crianças daquela zona. Até agora os putos sentiam-se integrados porque também tinham roupas de marca e jogos de computador como os ricos. Agora vai ser o cabo dos trabalhos para os convencer a enfrentar os colegas com camisolas chungosas, blusões com estampados foleiros, calças de fazenda das confecções Serra da Estrela Ltdª. Não me admirava nada que para a semana houvesse manifestação à porta do Comando Distrital. Se houver eu vou estar na primeira fila. Era no mercado do Entroncamento que eu costumava comprar DVD a cinco euros de filmes que ainda não tinham estreado em Portugal. E foi lá que comprei o fato de treino da Nike que costumo utilizar para fazer Joging. Onde é que eu vou buscar outro por dez euricos???E não penses que o problema é só meu. Pelo que percebi era naquele mercado que a TVI costumava comprar os filmes que passa às duas da manhã. Posso estar a faltar à verdade mas tudo aponta nesse sentido. Se não fosse assim como é que aquela televisão estava no local exactamente à hora do início da operação? Não me venhas dizer que o faro jornalístico deles os colocou no local certo à hora certa!!? Um faro assim nem os perdigueiros!!! Ninguém me tira da cabeça que eles andavam às compras e tiveram a sorte de poder filmar tudo. A sorte e o azar porque agora vão ter que comprar os filmes numa loja como deve ser e vão pagar balúrdios. E além disso não puderam levar as camisolas que já tinham escolhido para a Ma-nuela Moura Guedes.Um abraço fonográfico do Manuel Serra d’Aire

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