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Sete anos à espera

Sete anos à espera

Ex-trabalhadores da Matrena sentem-se defraudados e temem não receber o que lhes é devido

Os ex-trabalhadores da Fábrica de Papel da Matrena, em Tomar, estão fartos de esperar pelo dinheiro que lhes é devido. O processo de graduação dos créditos, contestado pelos trabalhadores, está no Tribunal da Relação de Coimbra. Não há prazos para o caso ser solucionado.

Edição de 02.02.2005 | Economia
Uma centena de ex-trabalhadores da Fábrica de Papel da Matrena juntou-se na tarde de sexta-feira para discutir o andamento do processo da empresa de Tomar, falida em 1997. Os ex-funcionários afirmam sentir-se defraudados com o sindicato dos papeleiros que, dizem, não lhes tem dado informações sobre o andamento do processo, particularmente no que diz respeito à graduação dos créditos. E ponderam entregar o caso a um advogado privado.Há precisamente um ano, o juiz Nuno Gonçalves, detentor do processo, deu a sentença de graduação dos créditos, rementendo os trabalhadores para o quinto e último lugar da lista. Os primeiros a receber alguma coisa serão os bancos com hipotecas e penhoras sobre a papeleira e o próprio tribunal.Na altura o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Celulose, Fabricação e Transformação de Papel, Gráfica, Imprensa do Sul e Ilhas apresentou um requerimento de recurso, contestando a forma como foi feita a graduação.Desde essa altura, afirmam os ex-trabalhadores - que se reuniram sexta-feira à revelia do sindicato - pouco ou nada lhes foi comunicado sobre o andamento do processo.Uma afirmação contestada pelo advogado do sindicato. Visivelmente agastado com a situação, Carlos Tomé referiu a O MIRANTE que as portas do sindicato e do seu escritório sempre estiveram abertas para receber os ex-trabalhadores da Matrena. E que ainda há poucos meses lhes fez uma sessão de esclarecimento sobre o processo.“Entendo que estejam preocupados e que pretendam fazer vingar os seus direitos, mas não percebo porque agem como se não fossem informados do que se está a passar”, diz Carlos Tomé, adiantando que da parte do sindicato os prazos legais foram todos cumpridos.O caso está nas mãos dos tribunais e a decisão pode demorar meses ou anos. Por ironia do destino, a maior ou menor rapidez até vai depender dos ex-trabalhadores. Porque, segundo o advogado do processo, o caso pode ir até ao Tribunal Constitucional.O juiz Nuno Gonçalves afirmou ao nosso jornal que a contestação dos créditos foi enviada para o Tribunal da Relação de Coimbra na semana passada. E que não há prazos para este tribunal dar uma sentença. “O Tribunal da Relação está actualmente a demorar cerca de seis meses a despachar processos destes”, afirma.Mas o processo pode não ficar por aqui. Se a sentença não lhes for favorável, os ex-trabalhadores podem recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça e até para o Tribunal Constitucional, diz Nuno Gonçalves.O magistrado descansa no entanto os ex-trabalhadores, que se mostram receosos quanto a uma possível prescrição do caso. “Em processos de falência não há prescrições de prazos. As pessoas têm os seus direitos e serão compensadas”, diz, adiantando que irão sempre receber.Essa é a principal dúvida dos antigos trabalhadores da papeleira, que decidiram marcar novo plenário para 25 deste mês, altura em que decidirão se entregam o caso a um advogado privado. É que as dívidas contabilizadas da fábrica ascendem a 85 milhões de euros e o montante até agora apurado de receitas não chega aos cinco milhões.“Quem nos garante que depois de pagar aos bancos ainda há dinheiro para nós?”, questiona um dos ex-trabalhadores.Margarida Cabeleira
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