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O primeiro presidente eleito

O primeiro presidente eleito

Joaquim Pereira Henriques entrou para a política pela porta grande
Edição de 02.02.2005 | O poder local aqui tão perto
Nunca foi filiado, mas diz que é mais PS do que muitos que estão no partido. Joaquim Pereira Henriques, nascido e criado no concelho, foi o primeiro presidente da Câmara de Alcanena eleito após o 25 de Abril de 1974.Quando assumiu o cargo conta com graça que não fazia a mínima ideia de como era uma reunião de câmara nem tão pouco tinha assistido a alguma. A estreia correu bem e rapidamente entendeu como funcionava toda a máquina a que presidia. Foi eleito por maio-ria, voltou a candidatar-se e perdeu o lugar para a AD (coligação PSD/CDS nas eleições de 1979). Assumiu o lugar de vereador e três anos depois – na altura os mandatos eram de três anos – apresentou-se novamente a escrutínio pelo PS e recuperou a presidência. Depois, “como já não era preciso”, o PS “triturou-o” e propôs outro candidato, Carlos Cunha. Joaquim Pereira Henriques nunca mais foi chamado para nada.“Quando ganhei pela primeira vez, em 1977, todos os presidentes de câmara do distrito tomaram posse no governo civil em Santarém. O governador era Fausto Sacramento Marques. Era só engenheiros e doutores e eu que só tinha a quarta classe pensei para comigo ‘onde tu te vieste meter’”. As poucas habilitações literárias não o impediram de levar por diante uma série de projectos e, ainda hoje, com 82 anos, Joaquim Henriques diz que continuaria a ser capaz de fazer qualquer coisa pelo seu concelho. Do que fez sente um enorme orgulho, pela obra e pelo sentimento do dever cumprido. Foi nos seus mandatos que começaram as obras das piscinas, do mercado, do quartel dos bombeiros, a despoluição do Alviela, o processo da escola secundária, o reforço do abastecimento de água em Alcanena ou o saneamento em Moitas Venda. “Estava em todas. Também é do meu tempo a criação da Associação Nacional de Municípios, do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros e o fornecimento de energia eléctrica pela EDP”, conta.A sua entrada na política foi logo pela porta grande. Antes da presidência da câmara nunca tinha tido cargos políticos ou ligações a qualquer partido, embora fosse conhecida a sua posição contra o regime antes 25 de Abril. “Uma vez a PIDE foi ao escritório da firma do meu sogro, que eu geria, à minha procura, mas não me apanharam porque eu tinha ido a Lisboa”.Mesmo assim vasculharam o escritório e pediram ao sogro para abrir o cofre. “Levaram-me os papéis e um livro do Norton de Matos que hoje valia um dinheirão era ‘A razão da minha candidatura”, recorda.Do seu percurso realça “uma falha” quando apoiou e fez campanha pelo PRD. “Foi um passo em falso”, confessa. Actualmente, continua a gostar de política e segue atentamente alguns programas da SIC Notícias. Para ele, os partidos são pedras fundamentais da democracia e os presidentes de câmara devem estar apoia-dos num partido para conseguirem resolver os problemas dos seus concelhos.
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