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Um autarca sem partido

Um autarca sem partido

Joaquim Silva Neves, presidente da Junta de Freguesia de Alcanena
Edição de 02.02.2005 | O poder local aqui tão perto
“Gosto de ser presidente de junta e estou pronto a recandidatar-me”, afirma Joaquim Silva Neves, eleito pela lista Independentes pelo Concelho de Alcanena (ICA), no presente mandato, mas que já soma alguns mandatos à frente dessa autarquia.O primeiro convite para participar nas listas de candidatos à junta de freguesia surgiu na década de 80, por via do associativismo. Joaquim Silva Neves, 62 anos, natural de Amiais de Baixo (concelho de Santarém), tinha regressado há pouco tempo de França e dirigia o Atlético Clube de Alcanena. “Livrei-o de um estado de quase falência”, conta.Candidatou-se pela CDU, depois pelo PS e, por incompatibilidade com o então presidente da câmara, o socia-lista Carlos Cunha, desistiu da actividade política. Em 2001 aceitou de novo ser cabeça-de-lista pelo ICA e voltou a ganhar.Gosta de futebol, é adepto do Benfica e do Atlético Alcanenense, ambos a viverem períodos difíceis, mas mais grave do que a vida dos clubes é a situação social em que se encontra a sua freguesia. “Há muitas pessoas a viverem no limiar da pobreza, gente que trabalha e não consegue suportar o custo de vida”, afirma.Para além do conhecimento como autarca, Joaquim Silva Neves é pro-prietário de um café-restaurante. Passa os dias atrás do balcão e pode avaliar as dificuldades económicas por que passam as pessoas da sua autarquia.Numa freguesia situada na sede do concelho muitos dos problemas de manutenção e obras passam para a câmara. A actividade da junta nestes casos é mais de carácter social e o presidente tenta resolver algumas das situações que lhe são colocadas, o que não é fácil. “Há sempre os espertos que conseguem receber e para outros, com mais dificuldades, levantam-se muitas questões. Alguma coisa tem de mudar no sistema de assistência social”, afirma.É neste sentido que Joaquim Silva Neves está disposto a candidatar-se de novo em Outubro e não escolhe partido, porque a nível de juntas o “que importa são as pessoas” e até podem ser independentes. O presidente que concorreu pela CDU, pelo PS e pelo ICA não rejeitaria a hipótese de se apresentar apoiado pelo PSD. “Não me fazia diferença nenhuma”, confirma adiantando que o único partido em que militou foi no PS e continua a ser socialista. “Recebi uma carta de suspensão quando me candidatei pelo ICA, nunca mais tratei de nada e, presentemente, também não vou fazê-lo”.Muito politizado em todas as suas afirmações, Joaquim Neves vê com apreensão as próximas autárquicas no concelho. Segundo afirma, a divergência de opiniões dentro do ICA sobre a eventual instalação de um Cirver – Centro Integrado de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Industriais Perigosos – em Alcanena fragilizou o movimento, que não voltou a recuperar após a assembleia municipal de Novembro último, em que o projecto foi chumbado. Joaquim Neves foi um dos disse não ao Cirver e não está arrependido.Para ele o ICA teve a sua época. Actualmente a sua existência já não se justifica. Ainda para mais quando, no seu entender, o presidente de câmara deve ter um partido por detrás.
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