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Lixos perigosos só com contrapartidas

Lixos perigosos só com contrapartidas

Constância admite opor-se à instalação de aterro para resíduos industriais na Chamusca

A Câmara de Constância opõe-se à instalação de um centro para tratamento e eliminação de resíduos industriais perigosos na Chamusca se o Governo não assumir publicamente as contrapartidas prometidas para o seu concelho.

Edição de 02.02.2005 | Sociedade
O primeiro Centro Integrado de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Industriais Perigosos (CIRVER) a instalar em território nacional vai situar-se no concelho da Chamusca. Essa é a localização apontada pelo consórcio luso-espanhol vencedor do concurso público aberto pelo Ministério do Ambiente e que ficou resolvido na semana passada.O anúncio feito pelo ministro do Ambiente de que o concurso já tinha vencedor - embora ainda sujeito a contestação por parte de outros concorrentes - desencadeou a reacção do presidente da Câmara de Constância. António Mendes (CDU) afirma que se oporá à instalação do CIRVER se não forem publicamente assumidos os investimentos prometidos para o seu concelho. Designadamente a construção de uma nova ponte sobre o Tejo entre Praia do Ribatejo (Vila Nova da Barquinha) e Constância-Sul, que substitua a antiga ponte ferroviária adaptada ao tráfego rodoviário, “a qual não tem qualquer capacidade para suportar mais” veículos, sobretudo pesados.O autarca admitiu ter ficado inquieto com o anúncio, feito no dia 27 de Janeiro pelo ministro do Ambiente, de que já foi seleccionada a empresa que irá construir o CIRVER e que este se localizará no vizinho concelho da Chamusca, “sem que nada tenha sido dito sobre as contrapartidas acordadas com os municípios” envolvidos.Recordando que a povoação que se situa mais perto do local onde se instalará o CIRVER, Vale de Mestre, pertence ao seu concelho, António Mendes quer garantias de que os compromissos assumidos ao longo do processo ficarão “preto no branco”, o mais tardar quando for homologado o nome da empresa vencedora. Ou seja, 10 dias após o anúncio da selecção do consórcio, se não houver contestação de outros concorrentes.António Mendes adiantou que durante as negociações foram também acordados investimentos nas áreas social e desportiva, que compensem as populações pelos incómodos que irão sofrer.“Admitindo que poderá haver uma mudança de Governo, e que a eliminação de resíduos poderá ser feita através do CIRVER, a não serem assumidos os referidos compromissos, tanto pelo PSD como pelo PS, Constância jamais aceitará a localização do equipamento junto das suas populações”, advertiu.O presidente da Câmara Municipal da Chamusca, Sérgio Carrinho (CDU), disse à Lusa estar convencido de que as medidas acordadas serão assumidas “a seu tempo”, sublinhando que o anúncio do ministro do Ambiente diz respeito à classificação provisória das empresas concorrentes e que dos dois CIRVER que o Governo tencionava instalar no país vai avançar apenas o do seu concelho, caindo a candidatura (apresentada apenas por uma das oito concorrentes) de Marco de Canaveses.Sublinhando que corrobora das preocupações dos seus colegas autarcas, Sérgio Carrinho entende que o processo está a seguir “o seu curso normal” e que os compromissos assumidos serão respeitados.Para Sérgio Carrinho, mesmo que o PS venha a vencer as eleições e a formar Governo, o seu programa “deixa margem para a co-incineração e para os CIRVER”, soluções que, disse, “são conciliáveis”.O MIRANTE/Lusa
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