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Não há alcatrão para tapar buracos

Junta de Alcanede responsabiliza Câmara de Santarém pelo mau estado das estradas

A Junta de Freguesia de Alcanede está há um ano à espera que a Câmara de Santarém lhe forneça alcatrão para tapar os buracos das estradas. Farta de esperar, emitiu um comunicado à população onde responsabiliza o município pelos transtornos.

Edição de 02.02.2005 | Sociedade
A Junta de Freguesia de Alcanede distribuiu um comunicado pela população onde responsabiliza a Câmara de Santarém pelo mau estado das estradas e caminhos municipais em alguns pontos da freguesia e pela demora na sua reparação. O presidente da junta, Manuel Vieira (PSD), cumpriu assim a promessa que já havia deixado na sessão da Assembleia Municipal de Santarém realizada em final de Dezembro. Na altura, o autarca recordou que já há um ano que andava a pedir à câmara as massas betuminosas para poder remendar “o estado miserável e vergonhoso” em que as estradas se encontravam. E avisou que, se não houvesse resposta, seria obrigado a explicar que a culpa pela existência de muitos buracos nas estradas da freguesia era da câmara – “porque o presidente da junta é que é apontado pela população”, justificou. Passado um mês, e sem resposta por parte do município, a junta não esteve com meias medidas e avançou mesmo com o comunicado onde recorda que existe um protocolo entre as duas autarquias que estabelece as responsabilidades de cada parte. Neste caso, a câmara tem obrigação de fornecer os materiais e a junta trata de os aplicar. E como não há alcatrão, não há buracos tapados.Para Manuel Vieira, a maioria socialista da Câmara de Santarém “está a tentar denegrir a imagem da junta de freguesia” perante a população. O que, para ele, “só pode ter a ver com questões políticas”. Refira-se que Manuel Vieira conquistou a junta para o PSD, após alguns mandatos de maioria PS.O autarca mostrou a O MIRANTE cópias de ofícios enviados para a câmara em Janeiro e Julho de 2004 para assegurar que tentou resolver a situação pela via do diálogo antes de denunciar a situação na assembleia municipal e, posteriormente, em comunicado à população.“Dei tempo mais que suficiente para se resolver o problema”, diz o autarca, acrescentando que, se as massas betuminosas tivessem sido cedidas em tempo útil, se evitaria um maior dispêndio de materiais. Isto porque ao longo do último ano os buracos aumentaram em número e dimensão.Uma estrada bem ilustrativa do mau estado em que se encontram algumas vias da freguesia é a que liga a Estrada Nacional 362 (Alcanede-Santarém) ao lugar de Viegas. São pouco mais de três quilómetros onde há crateras que vão de berma a berma e os buracos são muitos. O que leva muitos utilizadores da estrada a optarem por uma ligação alternativa apesar de terem que andar mais alguns quilómetros.Outros exemplos mencionados no comunicado da junta são os acessos a Vale da Trave, Prado, Vale do Soupo, Urbanização de S. João e Alqueidão do Rei.Contactado por O MIRANTE, o vice-presidente da Câmara de Santarém, Manuel Afonso, explica a demora no fornecimento com o facto de a autarquia não dispor de materiais nas quantidades pedidas pelas juntas.Essa situação deve-se ao facto de o município ter decidido abrir um concurso para a aquisição de massas betuminosas, para assim tentar obter melhores preços no mercado. “Temos tentado comprar o mais barato possível”, explica Manuel Afonso lembrando que os concursos são processos morosos e que esse procedimento não afectou exclusivamente Alcanede.O vice-presidente da câmara considerou também descabido o comentário do presidente da Junta de Alcanede sobre alegadas questões políticas para tentar prejudicar a imagem da junta perante a população.“Até parece que em Alcanede só há pessoas que votam no PSD. Não podemos ver as coisas nesse prisma até porque se a junta não fica bem na fotografia, a câmara também não fica”, diz Manuel Afonso, acrescentando que o concurso está concluído e logo que haja alcatrão ele será distribuído.João Calhaz

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