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Inolvidável Manuel Serra D’Aire

Edição de 10.02.2005 | E-mails do outro mundo
Partilho a tua preocupação com as apreensões selvagens que a polícia anda a fazer nos mercados da região. Eu também sou vítima desse excesso de zelo. Se querem apanhar material contrafeito comecem por outro lado. Ponham na pildra os travestis que se produzem de tal maneira que enganam a rapaziada mais afoita e necessitada. Metam à sombra as falsas louras com mamas cheias de silicone que fazem parar o trânsito inopinadamente e que já me custaram um pára-choques. Engavetem os rapazinhos de fato cinzento que se fazem passar por políticos e ainda por aí a prometer mundos e fundos. Acabem com a cerveja sem álcool e com o queijo light.Já não nos bastava a seca para nos apoquentar e ainda mais isto. Não tarda muito ponho-me a organizar uma procissão para acabar com as rusgas policiais. Como sabes essa é a medida mais eficaz para fazer chover a potes desde que os índios foram exterminados por abusarem da dança e terem alagado o faroeste americano. No tempo do Cavaco houve procissão no Alentejo e resultou. Alguma dessa água ainda ajudou a encher o Alqueva. É verdade que da última vez que lavei o carro choveu no dia seguinte, como é costume. Mas esse é mesmo o último recurso. Há uma poeirenta imagem a preservar e eu não abdico dela sob pena de não dar mais com o carro. Pelo pó reconheço-o ao longe. Lavado é cinzento e igual a milhares de outros. Até me decidir por soluções mais drásticas vou tomando medidas avulsas contra a seca. Por enquanto, medidas de meio litro. Mas, se a coisa se agravar, vou ter de passar para as generosas girafas de litro. Para grandes secas grandes medidas. E vá lá que os tremoços são de borla. Digamos que é o subsídio da comunidade cervejeira à minha capacidade empreendedora em prol do bem comum.Manel, o que nos falta hoje em água vai sobrar em higiene e segurança no trabalho daqui a uns tempos. Só na última edição de O MIRANTE reparei que vão abrir cursos superiores nessa área em Santarém e Abrantes. Isto significa, meu caro, que algo vai mal no sector. Aliás, basta trabalhar meia hora ao pé do ventilador do nosso compadre Ernesto para termos a noção do barril de pólvora onde nos movimentamos. Os gases expelidos pelo nosso amigo são mais perigosos que toda a poeirada produzida pela cimenteira de Alhandra. As armas químicas do Saddam ao pé daquilo são pistolas de fulminantes. Aquilo é fogo que arde sem se ver e que nos vai matando aos poucos. Que nos põe indispostos e com vontade de desancar o deputado mais próximo por ainda não se ter chamado os americanos para darem cabo daquelas armas de destruição maciça, autênticas violações da convenção de Genebra.É urgente termos doutores em higiene e segurança no trabalho que nos ajudem a combater esses males sinistros e nos permitam ter uma vida sã e escorreita enquanto bulimos. Que ponham na ementa da cantina refeições à base de picanha e lagosta. Que nos levem a passear até ao Caramulo para apanhar bons ares. Que nos libertem desta aflição diária que é ter de levantar cedo da cama para ir bulir. Porque isso dá cabo dos nervos de um homem e de higiénico, que se saiba, não tem nada. Pelo contrário. Um homem a dormir não faz mal a ninguém. Nem mesmo o ventoso Ernesto. O mais que lhe pode acontecer é não acordar um dia devido a inalação excessiva de gás. Mas isso é lá com ele.Um salutar abraço do Serafim das Neves

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