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Mantas da Playboy com sotaque minderico

Mantas e cobertores é a especialidade dos Têxteis Martins Pires de Minde

Uma empresa de Minde fornece mantas e cobertores para as marcas Disney e a Playboy. Luís Martins Pires andou a divulgar o seu trabalho nos Estados Unidos e está a colher os frutos. A próxima aposta é o mercado chinês.

Edição de 10.02.2005 | Economia
Com uma mala cheia de cobertores, Luís Martins Pires e a mulher decidiram meter mãos à obra e procurar novos clientes para as mantas e cobertores que produziam na sua fábrica, em Minde, no grande e competititvo mercado dos Estados Unidos. Daí a algum tempo o reflexo da iniciativa chegou: começaram a fazer cobertores para a playboy.“Foi uma espécie da história da mala de cartão”, conta o empresário que também é presidente da Junta de Freguesia de Minde, concelho de Alcanena, e comandante dos bombeiros locais. Luís Martins Pires já tinha ido a algumas feiras nos Estados Unidos e uma vez decidiu ir à procura de novos clientes em vez de esperar que fossem eles a procurá-lo.“Eu e a minha mulher pegámos numa mala cheia de cobertores e não foi bem de porta em porta, mas visitamos alguns show rooms que eles lá têm. Deixámos amostra e passados cerca de três ou quatro meses a Playboy pediu-nos novas amostras e contra amostras”. Cobertor para cá, cobertor para lá, fechou-se o negócio e há quatro anos que a fábrica de Minde exporta cobertores e mantas para a grande empresa norte-americana.Para já o desenho, fornecido pelos compradores, é o da conhecida coelhinha em tamanho grande sobre fundo de cor ou muitas mais pequenas em mantas de dimensões reduzidas, mas Luís Pires está pronto a fazer qualquer desenho.“Já fui criticado por dizer que se me pedirem faço mulheres nuas, ou desenhos mais arrojados. Não tenho problema nenhum com isso e nem sequer percebo a crítica. Então os pintores não andam a fazer quadros com nus há não sei quantos anos?”, questiona.Trabalhar para empresas com esta dimensão requer um cuidado constante. A exigência na qualidade é muito grande e perio-dicamente a Martins Pires é visitada por inspectores norte-americanos. “Chegam a pedir-nos as folhas de vencimento e até as análises da água que bebemos”, continua.Depois da Playboy outra grande empresa foi conquistada pela unidade fabril de características familiares de Martins Pires: a Disney. “Trabalhamos em cobertores, mantas e artigos de bebé”, explica.A apresentação de uma carteira com tão grandes clientes funciona como um cartão de visitas. “Para trabalhar para a Disney ou para a Playboy temos de ter bons fios, muita qualidade a todos os níveis, o que significa que estamos aptos para trabalhar para qualquer cliente”, continua.E Martins Lopes não pára. Da produção da fábrica com um volume anual de facturação de cerca de três milhões de euros, apenas dois por cento é destinada ao mercado nacional. A restante é vendida nos Europa, nos Estados Unidos ou na Arábia Saudita. “Queríamos arranjar mais uma meia dúzia de clientes nacionais e vou tentar vender na China. Vou à China”, diz. “Eles têm um bilião de habitantes. Desses, 300 ou 400 milhões devem ser ricos, então vou tentar que essa gente me compre os cobertores”, graceja.Em Minde, a fábrica de Martins Lopes não tem concorrentes. São os únicos a fabricar mantas e cobertores, mas o mercado está mal. O empresário defende o entendimento entre industriais, criando parcerias, para fazer descer as matérias-primas. No entanto, não tem tido grande êxito na proposta. “Se gastamos fio igual, em vez de cada um comprar para si, comprávamos em conjunto e o preço seria mais aceitável”.Apesar de ser um homem destemido, Marques Pires vê com alguma apreensão o futuro dos têxteis em Portugal e critica as atitudes dos governantes nacionais. Em Espanha, exemplifica, há legislação e fiscalização periódica às chamadas lojas dos chineses. “Eles conseguiram que os 60 ou 70 por cento do produto vendido nessas lojas fosse espanhol, aqui não se fez nada nesse sentido”, afirma. Por outro lado, dantes quando os empresários portugueses integravam as comitivas do Presidente da República era para tentar vender no estrangeiro o que se produzia no país, “agora é para instalarmos fábricas lá fora”.Perante esta realidade, Luís Marques Pires atira-se com mais afinco para novos mercados: “Já combinei com a minha mulher: temos de ir à China!”.Margarida Trincão

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