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O último tanoeiro da freguesia

O último tanoeiro da freguesia

Fernando Caria fabricou dezenas de barris para os viticultores da região
Edição de 10.02.2005 | O poder local aqui tão perto
Na pequena oficina de Fernando Duarte Caria, junto à sua casa, na freguesia de Vale da Pinta, Cartaxo, perfilam-se os últimos barris de madeira construídos pela mão do tanoeiro.Depois de 50 anos de profissão, o artesão vai deixar de produzir os tradicionais recipientes de madeira de carvalho e castanheiro onde os pequenos viticultores conservavam o precioso néctar produzido no concelho.“O plástico e o inox deram cabo da arte. Os novos também não sabem amanhar a vinha, está tudo abandonado e já não se faz tanto vinho por cá”, lamenta.Fernando Duarte Caria tinha 15 anos quando foi aprender a arte para uma oficina do Cartaxo. O seu sonho era aprender mecânica, mas quando o seu pai saiu um dia de casa para lhe arranjar trabalho só encontrou quem ensinasse ao filho a arte da tanoaria.Aos 18 anos, depois de cumprir o serviço militar, foi trabalhar para os armazéns Machado. Pelas suas mãos passaram os grandes tonéis de madeira onde o tinto do Cartaxo repousava antes de ser provado pelo consumidor. Lá ficou até aos 49 anos, altura em que um acidente de motorizada o atirou para a reforma antecipada por invalidez.Em casa continuou a construir e a consertar barris. Mas a procura é cada vez menor e o tanoeiro está decidido este ano a deixar de lado o ofício. O último tanoeiro da freguesia teme que a arte acabe por morrer, já que ninguém se interessa por aprender os preceitos da construção dos velhinhos barris de madeira.
O último tanoeiro da freguesia

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