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Promessas leva-as o vento

Promessas leva-as o vento

Programas políticos para a região sem aplicação prática

Na hora da caça ao voto vale quase tudo para aliciar o eleitorado. O MIRANTE foi dar uma olhada nos programas para a região feitos pelos partidos que formaram Governo na última década. E chegou à conclusão que o distrito estaria muito mais desenvolvido se metade do que lá está escrito tivesse sido feito.

Edição de 10.02.2005 | Política
Senhoras e senhores eleitores: abriu a caça ao voto! Até 18 de Fevereiro, os eleitores da região vão ser novamente bombardeados com as mais diversas e fabulosas promessas por parte dos candidatos a deputados das várias forças políticas a concurso. E, como a memória do povo é curta, já poucos se lembram dos compromissos, propostas e ideias debitados pelos partidos em anteriores campanhas. Mas nós guardamo-los connosco. Para mais tarde recordar. São promessas que mudariam a face da região caso se tivessem tornado realidade.Para abrir, dois exemplos. Em 1995, o PS lançou a bandeira da regularização do Tejo como factor determinante para o desenvolvimento da região. Em 2002, o PSD estabelece como prioridade a regularização e reordenamento da bacia do Tejo. “O PSD no Governo promoverá um congresso internacional sobre o rio Tejo que se debruce sobre a vida e as vivências dessa grande estrada de cultura e desenvolvimento”, lê-se no programa social-democrata.Os socialistas estiveram no poder até Março de 2002. O PSD, daí até à actualidade. E o Tejo continua na mesma. Vítima de descargas de esgotos sem tratamento, assoreado e desprezado nas suas margens, salvo honrosas excepções graças ao programa Valtejo e à iniciativa de algumas autarquias.Se não fossem as promessas e intenções deixadas por escrito, dificilmente este exercício seria possível. Tantas e tão variadas têm sido as propostas para cativar o eleitorado. No programa do PS para a região nas legislativas de 1995, intitulado “O Ribatejo que temos, o Ribatejo que queremos”, propunha-se também “maior rapidez e capacidade de execução” para uma série de obras na rede viária. Como projectos e concursos para todo o IC 3, projecto e execução do IC 11 de Vendas Novas até Vila Franca de Xira ou construção variante à EN 3 entre Cartaxo e Santarém, que passados dez anos continuam por concretizar.O cabeça de lista Jorge Lacão terminava o seu texto de apresentação desse ambicioso programa com um “Nós acreditamos. Acredite connosco”. O povo do distrito de Santarém acreditou e deu maioria ao PS na região ajudando à formação de uma nova maioria. E não perdeu tudo com isso. O Governo socialista, apesar de tudo, cumpriu com a adaptação da antiga ponte ferroviária D. Amélia ao tráfego rodoviário e a nova ponte entre Santarém e Almeirim. Mas soube a pouco perante uma lista tão exaustiva.E se os socialistas têm “culpas no cartório”, o PSD não pode assobiar para o lado no que toca ao alcatrão. Em 2003, no seu programa específico para a região, o PSD propunha-se executar o IC 3, o IC 9, um novo nó da A 1 em Fátima, avançar com uma nova ponte em Abrantes. Obras que continuam por fazer. Mas o partido sempre se pode gabar de ter concluído a A 23 e de ter alargado a ponte de Benavente, por exemplo.Também no mesmo programa do PSD constava uma promessa para a área da saúde que agora parece ter sido abandonada. Rezava assim: “ Construir um Hospital Distrital no sul do distrito de Santarém, servindo especialmente os utentes dos concelhos de Benavente, Salvaterra de Magos e Coruche que presentemente recorrem a Vila Franca de Xira (unidade há muitos anos saturada) ou têm de se deslocar a Santarém”. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.E se passarmos para a cultura as coisas não são menos sintomáticas. Os programas são exercícios de imaginação fabulosos. O problema é a realidade que teima em se atravessar no caminho. Em 2002, o PSD propunha-se criar um museu nacional de arte contemporânea religiosa em Fátima, criar em Santarém um Observatório de Culturas Regionais ou preparar o parque temático dos Templários.É verdade que o PSD só esteve três anos no Governo na última década, mas mais do que a ausência de propostas foi o silêncio em torno desses projectos, que na lista de obras anunciadas pelo partido para avançarem em 2005 e 2006 não se descortinam. Com o PS passa-se o mesmo noutras áreas. A regularização do Tejo, por exemplo, deixou de abrir os discursos de Jorge Lacão. E não pense o leitor que este pequeno memorando é um exagero e uma forma de desacreditar a classe política. Muitas outras promessas não cumpridas ficaram por contar. Esperemos que daqui a quatro anos o saldo seja melhor.João Calhaz
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