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Trapalhada na reunião de câmara

Trapalhada na reunião de câmara

Dezenas de munícipes contestaram presidente e vereadores em Alverca

A maioria socialista que gere a Câmara de Vila Franca de Xira viveu uma tarde negra em Alverca. Vários munícipes alimentaram diálogos acalorados com os eleitos e até o verniz da presidente estalou. Rosinha ameaçou colocar dois munícipes na rua e alimentou a trapalhada.

Edição de 10.02.2005 | Política
A presidente de câmara e os vereadores da maioria socialista não vão esquecer a tarde negra que viveram na quarta-feira, 2 de Fevereiro, em Alverca. Cerca de meia centena de munícipes questionaram a presidente sobre várias matérias e criticaram o incumprimento de promessas e a falta de soluções para os seus problemas.Por duas vezes Maria da Luz Rosinha levantou-se e ameaçou colocar na rua os dois munícipes mais exaltados. Os homens, já com cabelos brancos, usaram termos menos apropriados para manifestarem o seu descontentamento em relação à eventual construção de um posto de combustíveis em Alverca.Algumas das moradoras do Bairro dos Avieiros da Póvoa de Santa Iria, que há 15 anos aguardam por casas novas, também perderam o controlo e utilizaram expressões como “impostores” e “mentirosos”. “Hás-de lá ir pedir votos que logo levas”, disse uma das moradoras quando abandonava a sala.Os diálogos impetuosos multiplicaram-se com o porta-voz dos moradores da Quinta das Drogas, que não querem o traçado proposto para a variante de Alverca, a desmentir em público o vereador Ramiro Matos (PS) e a presidente a questionar se o munícipe pagaria os seus impostos como fez questão de revelar. “Não sei se o senhor paga todos os impostos, eu pago todos. Nem sequer posso não pagar”, disse a presidente da câmara.A “trapalhada” continuou, talvez por estarmos no Carnaval. Numa conversa acalorada com o advogado Fernando Neves Carvalho, que falou na condição de cidadão e criticou a actuação da câmara no processo de licenciamento das bombas de combustível, a presidente da câmara ameaçou tomar medidas no caso do advogado não lhe provar que estava ali como cidadão. Estaria a insinuar uma eventual participação à Ordem dos Advogados? Rosinha não esclareceu.A presidente e a maioria também não conseguiram esclarecer a meia dúzia de moradores do Bairro da Verdelha de Baixo, em Alverca, que levaram uma garrafa de água captada horas antes na ribeira que passa na traseira das suas casas e que mais parece um esgoto a céu aberto, onde as ratas e outros rastejantes se multiplicam como cogumelos. (Ver reportagem na página quatro) Um dos momentos mais hilariantes da reunião aconteceu quando um munícipe deu um parecer elaborado pelo director do Departamento de Planeamento, Gestão e Qualificação Urbana à presidente e Maria da Luz Rosinha não percebeu a letra porque estava escrito à mão. Impensável numa autarquia que aposta na modernização dos serviços e num município que se diz desenvolvido. Na reunião ficou ainda provado que há munícipes que acompanham melhor as obras que os técnicos superiores da câmara. José Avelar, morador em Arcena (Alverca) provou que esteve mais atento que o urbanista Luís Matas de Sousa, responsável pelo acompanhamento da execução do programa Proqual no concelho. “Exijo que não me forneça informações incorrectas”, disse a presidente. Como nos disse um munícipe à saída da sessão, a última reunião de câmara foi uma vergonha, só comparável a uma reunião realizada na Póvoa de Santa Iria e onde um munícipe insultou o vereador do PSD e este respondeu no mesmo tom.Nelson Silva Lopes
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