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Cheiro insuportável invade o mercado

Cheiro insuportável invade o mercado

Limpeza feita à hora de abertura provoca mau estar nas vendedoras e clientes

A má aplicação de um químico no pavimento do mercado municipal de Torres Novas provocou vómitos e irritação nos olhos e nas vias respiratórias a algumas vendedoras e clientes.

Edição de 10.02.2005 | Sociedade
Um cheiro insuportável originado pela aplicação de um produto impermeabilizante no pavimento do mercado de Torres Novas provocou mau estar nas vendedoras e clientes do recinto na sexta-feira, 4 de Fevereiro. Os responsáveis afirmam que se tratava de um químico inócuo, mas várias pessoas tiveram de abandonar o edifício.“Tive de ir lá para fora, comecei a sentir uma forte dor de cabeça e muitos vómitos. Por pouco não fui ao hospital”, conta Jesuína Campos, vendedora de frescos. Chegou ao mercado às 07h30 e sentiu de imediato um cheiro estranho e insuportável. “As portas estavam fechadas e ainda foi pior”, continua. Cheia de náuseas e com a cabeça a estalar foi obrigada a abandonar a banca durante algum tempo para ir apanhar ar.Segundo a veterinária municipal, Maria de Lurdes Santos, o cheiro que causou irritação e indisposição foi provocado por um produto inofensivo. “A única razão para isto ter acontecido foi uma aplicação incorrecta do químico. Só pode ter sido isso, porque o produto é completamente inócuo para a saúde pública”, garante.O químico estava a ser aplicado na zona da peixaria e os funcionários camarários continuaram o trabalho, mesmo depois do mercado abrir. Maria de Lurdes Santos explicou a O MIRANTE que a finalidade deste químico, uma espécie de verniz, é tornar o pavimento impermeável para ser mais higiénico. O chão do mercado é revestido por um material claro e poroso, onde se entranha toda a sujidade.“A ideia era boa, mas podiam fazer isso num dia em que o mercado estivesse fechado”, continua a vendedora. Adelaide Pereira, também vendedeira, tem a mesma opinião. Não se sentiu tão mal quanto Jesuína, mas também ela ficou incomodada com o cheiro desagradável e teve de sair por algum tempo para apanhar ar.“Fui beber um copo de leite para desintoxicar”, conta criticando a forma e o desrespeito que quem manda executar estas tarefas demonstra pelas pessoas que vendem e compram no mercado. “Está tudo mal. Se queriam ter o mercado limpo, deviam fazer desinfecção uma ou duas vezes por mês como fazem na Nazaré. Temos de estar em cima destes estrados que ninguém levanta para lavar o chão. Até ratos aparecem por aqui”.Margarida Santos, vendedora de peixe, foi outra das lesadas pelo reacção do produto químico e que, perante a pouca atenção que a sua reclamação mereceu por parte de um dos responsáveis do mercado, decidiu chamar a delegada de saúde. “Os funcionários não tiveram culpa nenhuma, cumpriam ordens, mas quem manda aqui não me devia ter voltado as costas a sorrir”, afirmou, para acrescentar: “Dizem que o produto não fazia mal, mas a própria veterinária quando chegou queixou-se que tinhas os olhos a arder”.Maria de Lurdes Santos confirmou que a má aplicação do químico provocava irritação nos olhos e nas vias respiratórias superiores.Esta ocorrência foi mais uma chamada de atenção para o novo edifício do mercado de Torres Novas. Desde o início que as vendedoras se queixam de não terem sido colocados toldos para quebrar o sol. “No Verão deito quilos de fruta fora, queimada pelo sol”, afirma Jesuína Campos. “Prometeram-nos que iam colocar uns toldos, mas até ver nada fizeram”, continua.Adelaide Pereira adianta outra reclamação: “O mercado só devia ter duas portas centrais abertas para as pessoas circularem. Da forma como está só há clientes de um lado e para o outro não vêm”, diz ameaçando falar de novo com o presidente da câmara: “Eu é que não o apanho por aqui, mas ainda me vai ouvir”, conclui.Margarida Trincão
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