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Cuidado com as lagartas que causam comichão

Numa zona habitacional de Santarém há pessoas com sintomas de alergia

Numa rua da Portela das Padeiras, em Santarém, quatro pinheiros infestados de lagartas estão a levantar apreensão junto dos moradores. Algumas pessoas dizem sentir leves sintomas de alergia.

Edição de 10.02.2005 | Sociedade
Se passar pela Rua Maria Lamas, na Portela das Padeiras, em Santarém, e encontrar pessoas a coçarem-se insistentemente, não se admire. Muitos moradores da zona queixam-se de alergias provocadas pelas lagartas dos pinheiros que se encontram numa praça pública. Há dias em que os passeios estão cheios dos bichos também conhecidos por “processionárias”. Maria Figueiredo admite que passa o dia a esfregar a pele para tentar aliviar a comichão. “Estou farta de gastar dinheiro em frascos de álcool para queimar os bichos que aparecem aos montes no chão”, sublinha, acrescentado que um cão de uma vizinha morreu recentemente, suspeitando-se que tenha sido por causa das lagartas. Os moradores estão preocupados com os problemas que as lagartas que vêm dos quatro pinheiros da praça podem causar, sobretudo porque as crianças costumam brincar no local. Para além disso, garante Maria de Fátima, proprietária de um café na zona, as lagartas entram para dentro dos quintais e das casas próximas. Na região não há registos de casos graves de alergias provocadas por estas lagartas que atacam os pinheiros, com especial incidência nos bravos. Apesar de não haver nenhuma restrição à colocação destas árvores, a Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF) aconselha a que as mesmas não sejam plantadas em espaços públicos. Quando os serviços florestais da Direcção Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste têm conhecimento do aparecimento da praga em locais que podem afectar as pessoas, disponibiliza um folheto com o método de controlo das lagartas e os cuidados de saúde que devem ser observados. No folheto são referidos os cinco estádios de crescimento da lagarta que também pode aparecer em cedros. É a partir do terceiro estádio que as processionárias possuem pêlos urticantes que causam alergias na pele e que podem também afectar os olhos e o aparelho respiratório. O período mais crítico é entre Fevereiro e Maio. Altura em que as lagartas abandonam o ninho e dirigem-se em procissão (daí o nome processionária) para o solo, onde se enterram para passar à fase de insecto que emerge no Verão. A DGRF adverte que a destruição mecânica das lagartas é nesta altura o método mais eficaz. Nesse sentido deve-se capturá-las quando descem pelo tronco, cintando-o numa extensão de meio metro a um metro com plástico ou papel embebidos nas duas faces com cola inodora à base de poli-isolbutadieno. Com a ajuda de um ancinho ou vassoura de jardinagem juntam-se depois num monte e queimam-se ou esmagam-se. Como os pêlos podem estar também espalhados pelos ramos e nos ninhos, as pessoas ao aproximarem-se dos locais infectados e durante a realização dos tratamentos devem tomar alguns cuidados. Aconselha-se o uso de luvas e de máscara que proteja o nariz e boca. É importante também proteger os olhos com óculos apropriados bem como o pescoço. Se aparecerem sintomas de alergia deve-se contactar o centro de saúde ou o médico assistente. Contactado por O MIRANTE, o vice-presidente da Câmara de Santarém, Manuel Afonso, disse que ainda não tinha tido conhecimento do caso, mas garantiu que o vai enviar para análise do veterinário municipal.Não há registo de casos graves na regiãoDos casos clínicos descritos a nível nacional não há nenhum que tenha ocorrido no distrito de Santarém, segundo informou a médica da Sociedade Portuguesa de Alergologia (SPA), Ângela Gaspar. Também não são conhecidas situações na área de Vila Franca de Xira. Os casos graves também são raros no país, mas apesar disso é preciso haver alguns cuidados para evitar reacções alérgicas. Segundo a clínica, as situações mais complicadas ocorrem a partir do contacto directo na lagarta. Os pêlos da larva introduzem-se na pele e libertam substâncias tóxicas. Se a pessoa for alérgica a essas substâncias, o que é raro no país, a situação pode ser grave e levar à morte. A generalidade das pessoas regista apenas reacções mais leves, como manchas na pele e comichão.O contacto com os pêlos da lagarta dos pinheiros pode ser feito também através do ar, já que estes são libertados com a deslocação dos bichos. Nestas situações as reacções não são tão graves. Em qualquer dos casos, diz Ângela Gaspar, as pessoas devem ser observadas por um médico. Se houver sintomas como falta de ar, vómitos, sensação de desmaio, olhos vermelhos, tosse, associados a urticária, é aconselhável a deslocação a uma urgência hospitalar porque pode-se estar perante reacções alérgicas graves. Alertando para o facto de se evitar passar junto a zonas de pinheiros afectados pela praga, a médica da SPA aconselha a tomada de outras precauções: se passar de carro junto a locais onde se sabem existirem lagartas as janelas do carro devem estar fechadas. E nunca se deve tocar nas larvas. Para mais informações pode consultar o site da Sociedade Portuguesa de Alergologia, em www.spaic.pt, ou através dos telefones 217152426/7. Pode ainda fazê-lo pelo fax 217152428 ou pelo e-mail: spaic@spaic.pt.

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