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Lixo separado já é reciclado

Lixo separado já é reciclado

Central de triagem de lixos da Chamusca começou a funcionar há um mês

Cinco anos depois da entrada em funcionamento dos aterros sanitários da região, a reciclagem é finalmente uma prioridade. A central de triagem que permite a separação, acondicionamento e envio para os recicladores dos resíduos provenientes da recolha selectiva já está a funcionar na Chamusca.

Edição de 10.02.2005 | Sociedade
Doze mãos remexem freneticamente nos pedaços de papel que desfilam lentamente no tapete rolante. Os olhos estão concentrados nas cores. Os brancos para um lado, o cartão para outro. Os resíduos provenientes dos ecopontos descem da sala do primeiro andar por um tubo, para compartimentos situados logo abaixo. É assim todos os dias desde que abriu a central de triagem da Resitejo, na Chamusca.A funcionar há um mês, desde 9 de Dezembro, a central da Associação de Gestão e Tratamento dos Lixos do Médio Tejo - Resitejo está a fazer a separação dos resíduos, encaminhando-os devidamente seleccionados para empresas de reciclagem. Neste momento é o papel que dá mais trabalho às seis funcionárias encarregues da separação. Mas começam a chegar também as embalagens, metais, pilhas, sucatas, madeiras. Depois de recolhidos nos ecopontos e transportados em camiões próprios, os papéis que as pessoas separam em casa são depositados num fosso à entrada do armazém da central. Um tapete rolante de borracha leva-os até à sala do primeiro andar, onde são separados por categorias. Quando os compartimentos de recolha dos lixos separados criteriosamente à mão estão cheios, procede-se ao processo de compactação e acondicionamento. Os depósitos têm portas em rede que se abrem para um outro tapete que rola num canal com meio metro de profundidade. Com a ajuda de ancinhos as trabalhadoras empurram, cada uma na sua vez, as famílias de papel. Primeiro vai o de cor branca. Lentamente entram numa máquina com uma prensa que os comprime até formarem um fardo com 400 quilos de peso, atando-os logo de seguida com arames. Os cubos de papel são empurrados para fora do compactador onde uma máquina igual às usadas nas obras para carregar materiais, os agarra e transporta para um canto do armazém. É aí que ficam à espera de transporte para fábricas de reciclagem. No espaço exterior há uma enorme zona cimentada com linhas brancas desenhadas que marcam o território de outro tipo de resíduos. Num lado amontoam-se pneus que depois de triturados podem servir para misturar nas massas asfálticas usadas nas estradas. Na outra banda estão máquinas de lavar velhas, frigoríficos, monitores de computadores. As chamadas sucatas vão sendo desmontadas. Ferro para um lado, alumínio para outro, plásticos para outro. Debaixo de um telheiro várias barricas de plástico albergam milhões de pilhas. Logo ao lado estão móveis antigos, restos de madeiras, sofás, que vão sendo atirados para uma máquina que os tritura. Os metais que estão agarrados à madeira vão para um recipiente, as aparas caem no chão. As pequenas lascas podem servir para decorar jardins, ou, depois de compactadas em “chouriços”, para arder nas lareiras substituindo a lenha.A central de triagem, a funcionar no parque ECO na freguesia de Carregueira, ao lado dos aterros de lixos domésticos e industriais banais, está a receber os resíduos da recolha selectiva, para além da Resitejo, do sistema da Resiurb (Almeirim). A participação do sistema da Amartejo, que tem um aterro em Abrantes, ainda está a ser negociado. Recorde-se que a Resitejo é constituída pelos municípios de Alcanena, Chamusca, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Golegã, Santarém, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha. A Resiurb gere os lixos dos concelhos de Almeirim, Alpiarça, Coruche, Salvaterra de Magos, Benavente e Cartaxo.Recolha selectiva aumentaSegundo as previsões da Resitejo, durante este ano de 2005 devem entrar na estação de triagem 1.300 toneladas de papel e cartão. Ou seja, 42 por cento mais em relação a 2004 em que foram recolhidas 903 toneladas destinadas a reciclagem. O aumento deve-se em grande parte à triagem, já que a Resitejo tinha um contrato com empresas de reciclagem, mas nem todo o papel era encaminhado para essas unidades porque não estava separado. Mas a grande mudança vai ser no sector das embalagens, que até agora estavam a ser enterradas nos aterros juntamente com o lixo doméstico, precisamente por não haver triagem. Este ano espera-se fazer a separação de 360 toneladas destes resíduos. A nível do vidro, no ano passado foram encaminhadas para reciclagem 1.551 toneladas, número que deve aumentar para 2.093 toneladas em 2005. Recorde-se que este tipo de resíduos estava a ser reciclado desde a entrada em funcionamento dos aterros sanitários, já que as fábricas estavam preparadas para receber os recipientes conforme eram colocados nos contentores dos ecopontos.
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