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“Não há idade para o Carnaval”

A primeira rainha do Carnaval de Samora tem 73 anos e não dispensa a folia

Elisa Vidal, 73 anos, é uma referência do Carnaval de Samora. Há 18 anos foi a primeira rainha e neste Carnaval voltou a sair à rua com o disfarce. Elisa é uma prova viva que não há idade para a folia.

Edição de 10.02.2005 | Sociedade
Aos 73 anos de idade, Elisa Vidal, de Samora Correia, é um dos exemplos vivos que não existe idade para se brincar à festa carnavalesca. É seguramente das pessoas mais velhas da região que ainda ousa mascarar-se e brincar com os mais novos. Todos os anos, por esta altura, veste-se a rigor para brincar como se tivesse a idade de um jovem. As suas máscaras não são compradas nas lojas, são da sua autoria. Como o mundo formal nunca lhe diz nada de especial, a sua opção é para máscaras que evidenciem um Carnaval trapalhão. Diz que não se sente complexada ao pé dos mais novos. “Bem pelo contrário”, refere.Nem as pessoas que lhe são próximas sabem qual a novidade que Elisa irá trajar em cada ano. Só no Domingo Gordo é que desvenda a sua máscara, que, por vezes, acaba por reutilizar na terça-feira de Carnaval. Apesar de ser uma pessoa muito popular na sua terra, conhecida por quase toda a gente, muitas são as pessoas que chegam a cruzar-se com ela nos desfiles e não a reconhecem. O marido, José Vidal, não é folião, mas não se importa com a opção da sua mulher. Elisa conta que desde pequena não tem faltado a uma festa de Carnaval. “Só interrompi a participação quando se registou a morte de um familiar próximo”, adiantou. Há 18 anos, Elisa Vidal foi rainha do Carnaval de Samora Correia. Foi o primeiro ano do Carnaval organizado com corsos e carros alegóricos. Segundo Elisa Vidal, o novo formato “veio dar mais organização ao Carnaval samorense” e introduziu novos comportamentos. “Recordo-me como se fosse hoje, antes de surgir o desfile de carros pela avenida principal, os carros eram abertos e as pessoas molhadas com baldes de água e enfarinhados”, disse. Elisa Vidal nunca concordou com o facto da organização do Carnaval samorense escolher actores de telenovelas brasileiras para o Carnaval. Diz-se defensora da ideia da festa ter figuras mediáticas no cortejo, “mas os reis devem ser pessoas da terra”.Esta antiga rainha do Carnaval de Samora Correia recusou sempre convites para desfilar em carros alegóricos. Gosta de andar a pé pelas ruas da vila. Este ano, conta que se mascarou de “pai de José Castelo Branco”. Pelas ruas da freguesia era vê-la trajada a rigor e com enormes cordões de ouro ao pescoço.Mas a foliã costuma também participar na cerimónia de “enterro do santo Entrudo”. Na noite de quarta-feira de cinzas, sempre que o cortejo passa à sua porta, Elisa retribuiu os habituais versos de cariz jocoso. Este ano, da sua janela passou a seguinte mensagem:Mário GonçalvesCarnaval 2005 foi alegre e foliãoEste cortejo inesquecível visto da minha janelaPerfumado a todas as vozes para evitar cagadelaVem, sente os odoresPorque não há outro igualTradição que não se perdeTodos cagam mal

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