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Nunca é tarde para jogar ao entrudo

Nunca é tarde para jogar ao entrudo

Cortejo carnavalesco para a terceiro idade no Entroncamento
Edição de 10.02.2005 | Sociedade
Não há reumatismo que vença a folia dos dias de Carnaval. No Entroncamento, a câmara colaborou com o programa Reviver e com as instituições de apoio à terceira idade. Os avós é que ficaram a ganhar com isso: saíram à rua para jogar ao Entrudo e para relembrar velhos tempos.Um casal de religiosos esperava na tarde de dia 2 de Fevereiro junto ao Centro Cultural no Entroncamento. Mascaram-se desde sempre e porque no Carnaval nada parece mal Isabel Valente e João José Pereira estavam ali para se juntar ao cortejo que chegaria pela rua Luís Sommer Falcão.Não eram muitos, mas divertiam-se à farta. Havia damas antigas, com os seus pajens de cabeleiras louras, cowboys e pescadores, meninas irreverentes e padres de sobrepeliz. No largo em frente à câmara municipal os idosos para quem a diversão é uma cura mais eficaz do que algumas idas ao centro de saúde, ganharam alma nova.Bailavam e rodopiavam ao som da música carnavalesca. Ninguém se queixava. O cowboy perdeu a pistola, mas a dança continuou; o pescador nazareno de rede às costas sabia como fazer para não perder o carapuço. Os religiosos, os primeiros a chegar, dançavam também, para não quebrar a tradição “Comecei a mascarar-me em criança. Tenho 74 anos e continuo a fazê-lo”, dizia o frade franciscano, João Pereira de seu nome, compondo as barbas negras e encaracoladas que teimavam em tapar-lhe a boca. No seu caso, a fantasia vem do ano passado pois há que poupar. “É uma vez no ano. Vale a pena gastar algum dinheiro, mas as pessoas cada vez têm menos, as casas de fantasias queixam-se disso”, comentava o frade a fazer tempo de ir buscar a concertina e as castanholas para acompanhar a música. Isabel, a sua companheira na vida e no traje, é mais contida. Gosta e sempre gostou de jogar ao entrudo, mas para paródias e festas ele “é melhor”.Melhor que Olívia Nogueira e Antónia Libânia é difícil. As duas senhoras, sob a capa do Capuchinho Vermelho ou das tranças de trapos da Pipi das Meias Altas, não paravam de dançar. “Foi a Olívia que fez o fato e eu ajudei”, contava a Pipi de 61 anos. Saia curta e rodada, boca bem pintada, a “menina” sardenta fazia par com o Capuchinho Vermelho (Olívia) de cesta no braço. “Quando era nova eram três dias sem ir à cama”, recordava o Capuchinho. Faltava a avó e o lobo mau, mas no encontro de gerações, entre histórias infantis e gente grande disfarçada, uma Joaninha, neta da Pipi, dançava também ao colo da avó. Ao lado, o padre, compenetrado da sua missão, distribuía bênçãos pelos presentes.E de pouco valeu tentar organizar o grupo nas escadas em frente ao edifício dos paços do concelho para uma foto de família. Os foliões estavam mais interessados em acompanhar o som da música com voltas e voltinhas. Meio desconsertados lá olharam para as objectivas e depois de novo voltear encaminharam-se para dentro do Centro Cultural, onde o baile continuou pela tarde dentro. Margarida Trincão
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