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Solidariedade dá lucro

Solidariedade dá lucro

Instituições do distrito tiveram saldo positivo de quase seis milhões de euros

O Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social verificou as contas das instituições e apurou que só no concelho de Vila Nova da Barquinha o trabalho desenvolvido na área da solidariedade não deu lucro.

Edição de 10.02.2005 | Sociedade
As Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do distrito tiveram um saldo positivo de quase seis milhões de euros durante o ano de 2003. Esta é uma das conclusões do relatório do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Santarém CDSSS), relativo aos indicadores financeiros desse ano.Os dados estatísticos foram apresentados quinta-feira, 3 de Fevereiro, às instituições particulares de solidariedade social (IPSS) apoiadas pela Segurança Social. E constituem, segundo afirmou o director do CDSSS, António Campos, uma iniciativa inédita a nível nacional. No total das 167 instituições da região, o centro distrital detectou que estas conseguiram um lucro de 5,8 milhões de euros. Valor obtido através dos rendimentos das IPSS, entre aplicações financeiras, rendas, serviços pagos, entre outros. Por concelhos, as instituições de Tomar foram as que conseguiram, no geral do distrito, os maiores ganhos. As IPSS de Vila Nova da Barquinha foram as únicas que, em termos globais, terminaram o ano em causa com um “prejuízo” de 13 mil euros. Para o director do CDSSS é importante que as instituições conheçam a sua situação financeira, para poderem prevenir o futuro. António Campos evidenciou que quem tiver indicadores de gestão e souber lidar com as suas contas pode ser mais eficiente e mais solidário. “Se houver mais eficiência consegue-se mais dinheiro para investir na solidariedade”, sublinhou. Com base no relatório, as instituições continuam a depender em grande parte dos subsídios da Segurança Social. Em 2003, cerca de 53 por cento das receitas das IPSS resultam das comparticipações do Estado ou de subsídios das autarquias. Quanto aos gastos, a maior fatia do bolo refere-se a custos com pessoal. Só para se ter uma ideia, nas creches os custos com a alimentação por utente por mês eram de 25,70 euros. Enquanto as despesas com funcionários por utente disparavam para 205,98 euros. Durante a sessão foram dadas algumas indicações às instituições no sentido de melhorarem o seu funcionamento. A capacidade de antecipar a gestão, fazendo orçamentos com previsões de receitas e despesas e que possam ser analisados trimestralmente para detectar desvios e compensá-los com a obtenção de mais receitas. António Campos destacou ainda os montantes pagos pelos utentes, dando como exemplo, na área da terceira idade, as valências de centro de dia e apoio domiciliário. Sectores onde, diz, os critérios estão invertidos. Nos centros de dia os utentes pagam em média 107 euros mensais, contra 91 euros no apoio domiciliário. “A lógica não é essa”, comentou, explicando que a comparticipação familiar na área do apoio domiciliário deve aumentar porque é também um serviço que tem maiores custos. Sobretudo em termos de pessoal, deslocações e custos com as viaturas que se deslocam a casa dos utentes para lhes prestar os cuidados necessários. Quem não apresenta contas não tem apoiosAs instituições de solidariedade que não entregarem as suas contas para análise do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Santarém, não têm direito a comparticipações financeiras, diz o seu director, António Campos. Nesta altura o centro distrital já visou as contas de 2003 de 49 instituições, num universo de 167. No entanto, há relatórios de gestão de várias instituições que estão a ser avaliadas. António Campos previne que não podem continuar a existir direcções de associações de solidariedade que “não entregam a contabilidade quatro ou cinco anos seguidos”. António Campos reconhece que o centro distrital andou anos sem verificar as contas das instituições, mas garantiu que de há dois anos a esta parte a situação foi regularizada. O director do centro distrital sublinhou ainda a intenção de se fazer uma auditoria ao apoio domiciliário, para verificar onde se pode melhorar o serviço, e a realização de um diagnóstico às instituições particulares de solidariedade social.Segurança Social põe Associação Pica-Pau na ruaAs equipas de rua da Associação Picapau, que estavam paradas há seis meses por falta de financiamento, vão ser reactivadas com o apoio da Segurança Social. O Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Santarém (CDSSS) assinou quinta-feira um acordo de cooperação com a instituição no valor de 21.735 euros. O dinheiro vai permitir à associação a prevenção primária das toxicodependências junto de três dezenas de utentes. Recorde-se que as equipas de rua da Picapau começaram a funcionar em Setembro de 2003, tendo durado até dia 8 de Agosto de 2004. Constituídas por quatro elementos, entre os quais se conta um psicólogo e um enfermeiro, as equipas têm por missão prestar aconselhamento aos utentes e prestação directa de cuidados de saúde. O projecto consiste em percorrer a zona urbana prestando apoio a toxicodependentes, prostitutos e sem abrigo. Para além do apoio a esta instituição do concelho de Santarém, o centro distrital assinou novos acordos de cooperação com instituições de 19 dos 21 concelhos do distrito. No total o CDSSS vai disponibilizar 696.455 euros para valências que vão desde a intervenção precoce ao apoio domiciliário, passando por creches e centros de convívio. As instituições apoiadas situam-se nos concelhos de Abrantes, Alcanena, Alpiarça, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Ferreira do Zêzere, Golegã, Mação, Ourém, Rio maior, Salvaterra de Magos, Santarém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.
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