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Arbitragem desafortunada

Arbitragem desafortunada

Amiense sofreu frente ao União de Chamusca mas venceu e subiu ao segundo lugar

O Clube Desportivo Amiense sofreu para superar o União de Chamusca. Um golo de Nuno Santos, obtido aos 70 minutos, acabou por ditar uma vitória, que se aceita. Mas os chamusquenses ficaram com muitas razões de queixa de uma arbitragem de péssima qualidade que, mais do que a superioridade do adversário, contribuiu decisivamente para a derrota.

Edição de 16.02.2005 | Desporto
O jogo União de Chamusca - Amiense ficou marcado por uma arbitragem de péssima qualidade protagonizada pela equipa de arbitragem chefiada por Valter Fortunado, que conseguiu ser o pior elemento em campo e teve interferência directa no resultado do jogo. Embora errando para os dois lados, o árbitro penalizou em demasia a equipa da Chamusca.Ficaram por marcar duas grandes penalidades a favor dos chamusquenses, além da expulsão injustificada de Tiago Silva, um jogador importante na manobra da equipa chamusquense, já em período de compensação, por alegadamente ter tido o desabafo de “só vê para um lado”, ouvido pelo árbitro assistente.O excesso de cartões mostrados aos chamusquenses e a marcação de uma grande penalidade inexistente, que deixou o próprio jogador do Amiense que pretensamente sofreu a falta a rir-se, são outras “nódoas” de uma arbitragem desafortunada que deixou jogadores, técnicos, dirigentes e espectadores à beira de um ataque de nervos. Apesar de serem de “campeonatos distintos”, dentro do pelado as diferenças foram nulas. O União de Chamusca jogou de igual para igual com um Amiense que teve que deixar a pele em campo para conseguir vencer. E venceu porque lutou muito e marcou um golo, não tendo qualquer culpa por o trio de arbitragem estar numa tarde para esquecer. O jogo não foi um grande espectáculo de futebol. Valeu pelo apego posto na luta pelos jogadores de ambas as equipas. O União entrou bem no jogo e, durante os primeiros 20 minutos foi superior a um Amiense que parecia surpreendido e não conseguia contrariar as marcações do seu adversário.Pertenceram mesmo à equipa comandada por Mário Lázaro as duas primeiras oportunidades para marcar. Aos 10 minutos, Condeço fugiu à marcação do lateral Hélder Casal e atirou forte, para defesa de Rui Galrinho. Aos 20 minutos foi Marco Santos que obrigou o guarda-redes do Amiense a empregar-se a fundo para suster um remate cruzado.A partir dos 25 minutos, o Amiense equilibrou as operações e o jogo passou a desenrolar-se quase sempre a meio campo, sem qualquer ocasião flagrante para qualquer das equipas. Apenas aos 44 minutos a equipa de Amiais esteve perto do golo. Na marcação de um livre da esquerda, Tigas colocou na área e Nelson saltou mais alto e de cabeça atirou para defesa apertadíssima de Carlos Soares.A segunda parte pouco deferiu da primeira, muito equilíbrio e poucas oportunidades de golo. O Amiense jogava mais no ataque e a equipa da Chamusca respondia em contra-ataque. Aos 50 minutos Carlos Soares é chamado a defender para canto uma bola pontapeada com intenção por Nelson. Aos 62 minutos é Rui Galrinho que evita com uma excelente defesa para canto um remate de Marco Santos.Aos 62 minutos Bruno Lopes, que tinha entrado ao intervalo para o lugar de Condeço, isolou-se pela esquerda e arrancou um pontapé fortíssimo, que passou a roçar a barra da baliza defendida por Rui Galrinho. Logo a seguir Singéis foi derrubado à entrada da área. Valter Fortunato fez vista grossa, iniciando aí uma extensa lista de erros. Mas só aos 70 minutos o Amiense conseguiu chegar ao golo. Num dos poucos erros da defesa do União de Chamusca, Matias conseguiu chegar à linha de fundo e cruzar para o segundo poste, onde apareceu Nuno Santos a encostar o pé e visar com êxito a baliza defendida por Carlos Soares.Estava feito o resultado. Mário Lázaro ainda tentou o tudo por tudo, colocando em campo Tiago Morais. Mas o Amiense defendeu bem. Cláudio Madruga não teve problemas em defender, tirando Catita e Pisco, e colocando nos seus lugares Plim e Renato, jogadores de características mais defensivas.Mas pelo meio e até ao final do jogo os jogadores da Chamusca não deixaram de lutar, e já perto do fim voltaram a ver o árbitro negar-lhes mais uma grande penalidade. Num cruzamento para a área, o central do Amiense, Mário, cortou a bola com as mãos para fora. Valter Fortunato e o seu auxiliar nada assinalaram.Já nos descontos, o árbitro assinalou uma grande penalidade pretensamente cometida pelo guarda-redes da Chamusca sobre Nelson. Uma falta que só o árbitro viu. Até o jogador do Amiense se ficou a rir e tão desconcentrado ficou que acabaria por chutar ao lado.O Amiense não teve culpa da má prestação do árbitro e acabou por vencer. Uma vitória muito suada e feliz, perante uma equipa da Chamusca que tudo fez para não sair derrotada. O empate seria talvez o resultado mais correcto, face ao equilíbrio e ao grande espírito de luta colocado em campo pelas duas equipas.Treinador da Chamusca indignado com a arbitragem“Fomos espoliados mais uma vez”No final do jogo o ambiente perto das cabines era pesado para os lados dos dirigentes da equipa chamusquense, e o treinador, Mário Lázaro, não conseguia esconder a sua indignação perante a actuação do trio de arbitragem. “Isto é impossível, somos pequeninos mas somos dignos e queremos crescer, e da forma como fomos espoliados mais uma vez, é uma injustiça o que nos andam a fazer”, disse visivelmente nervoso.Embalado nas críticas, Mário Lázaro garantiu que embora seja um defensor dos árbitros, tem azar com Valter Fortunato. “Este ano já nos sonegou cinco pontos: dois em Tomar e três hoje aqui em casa. Há duas grandes penalidades evidentes, nas barbas dele, que não marca, expulsa o Tiago Silva numa altura em que estamos a pressionar e à procura do empate, e para culminar no final do jogo fui falar correctamente com ele, e, como resposta, disse-me que eu estava expulso. É incrível o que este senhor nos está a fazer”, gritou desolado.“É frustrante e desmotivante para nós andarmos uma semana inteira a trabalhar, virmos para aqui dar o máximo e sermos espoliados desta forma, temos que estar aborrecidos. O Amiense não tem nada com isto. Foi uma equipa que nos respeitou e lutou com todas as suas armas e acabou por vencer. Mas eu não me posso calar perante uma arbitragem como esta”, disse indignado Mário Lázaro.Por sua vez, o treinador do Amiense, Cláudio Madruga, estava satisfeito com o resultado e com o comportamento dos seus jogadores. “Foi uma vitória saborosa, num jogo muito difícil, em que o nosso adversário se bateu muito bem, o que nos obrigou a superarmo-nos, e a termos de nos aplicar no máximo das nossas forças”, garantiu.“Foi de facto uma vitória sofrida, e se eventualmente se tivesse registado um empate, teria sido justo, pelo que as duas equipas fizeram durante os noventa minutos de jogo. Mas nós fomos mais felizes e trabalhamos para ter essa felicidade. Foi mais uma vitória frente a uma excelente equipa, e que foi ainda mais importante porque nos permitiu subir ao segundo lugar”, referiu Cláudio Madruga.
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