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União de Almeirim atolado em dívidas e sem direcção

Sousa Gomes, presidente da câmara e da mesa da assembleia-geral vai gerir o clube até novas eleições

A gestão do União de Almeirim está entregue ao presidente da câmara local, Sousa Gomes, e aos vereadores João Torres e Domingos Martins, que fazem simultaneamente parte da autarquia e da assembleia-geral do clube. Com as dívidas a ultrapassarem os 125 mil euros e sem ninguém disponível para avançar com uma nova lista, foram os autarcas que ficaram com o “menino” nos braços.

Edição de 16.02.2005 | Desporto
O União Futebol Clube de Almeirim, a navegar em águas agitadas e com as críticas dos sócios a atingirem níveis completamente impossíveis de gerir, realizou na segunda-feira, dia 14 de Fevereiro, uma assembleia-geral, para eleição de novos corpos gerentes. Não apareceu nenhuma lista para sufrágio, e depois de arrasados por críticas ferozes, os directores ainda em funções recusaram continuar, e a mesa da assembleia-geral, presidida por José Sousa Gomes, foi obrigada a ficar com o menino na mão.Sousa Gomes, que é simultaneamente presidente da Câmara Municipal de Almeirim e da Assembleia-Geral do União, iniciou a reunião, que contou com a participação de cerca de meia centena de associados, calmamente, explicando o motivo que levou à sua realização e solicitando a apresentação de listas para sufrágio. Mas ninguém se chegou à frente.Entretanto, o presidente cessante, Tomás Barreiros, aproveitou para se dirigir aos sócios, garantindo que apesar de ter trabalhado em condições muito graves, e de ter aceite que o ambiente que se viveu no seio da direcção foi muito mau, garantiu que se fez um trabalho positivo. “Fomos até ao fim do mandato e conseguimos diminuir as dívidas do clube. Dos 190 mil euros que viemos encontrar de dívidas, conseguimos recuperar para os 125 mil euros”.Já então se levantavam as críticas dos sócios presentes, que chegaram ao ponto de comparar o União de Almeirim com um circo. “É uma vergonha o que se passa entre os directores deste clube. Todos discutem uns com os outros e o que se passa no bar é incrível, os sócios para além de serem maltratados, são obrigados a assistir a cenas entre directores, que são no mínimo chocantes”, gritou um associado exaltado.Tomás Barreiros concordou com o associado e afirmou que na realidade o bar é um cancro para o clube e precisa de ser reestruturado. “O arrendamento será a solução para o problema”, disse.Mesmo garantindo que sai do União de Almeirim de consciência tranquila, Tomás Barreiros e os seus pares deixam um sentimento de revolta entre os associados. Também porque não conseguiu explicar outras dívidas que foram aparecendo, como os dois meses de subsídios em atraso aos jogadores seniores, ou a penhora que recai sobre os equipamentos do bar, devido a uma dívida de 1.250 euros à Coral, uma divida que é muito antiga, e outras situações que foram colocadas e ficaram sem resposta.Sousa Gomes insistiu com Tomás Barreiros para continuar até à próxima assembleia, e este chegou até a entregar uma lista para uma comissão administrativa. Mas como os protestos dos sócios subiram de tom, Barreiros acabou por a retirar porque entendeu que perante o que tinha ouvido na assembleia não tinha condições para continuar.O presidente da assembleia voltou então a insistir com os sócios presentes para que alguém se disponibilizasse para formar pelo menos uma comissão administrativa, que funcionasse até à próxima reunião. Voltou a estar a falar para a parede. Para terminar com o impasse, Sousa Gomes resolveu que a mesa da assembleia, formada por ele próprio e pelos vereadores João Torres e Domingos Martins, assumia a direcção do clube até à próxima assembleia. Situação que foi sublinhada com aplausos pelos associados presentes. Os responsáveis vão agora falar com algumas pessoas para tentar encontrar uma lista para gerir os destinos do clube.A maioria dos ex-directores presentes entregaram de imediato as chaves do clube a Sousa Gomes, embora alguns deles, principalmente os ligados ao futebol juvenil, tenham deixado claro que continuam dispostos a colaborar para que o clube não pare.

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