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Atento Serafim das Neves

Edição de 16.02.2005 | E-mails do outro mundo
Fiquei admirado com a tua informação sobre a abertura de cursos superiores de higiene e segurança no trabalho em Santarém e Abrantes. Quando essas coisas acontecem não é por acaso. Deve estar para sair alguma lei que obriga todas as empresas a contratar um dótor dessa área. Ou então a lei já está em vigor e há quem tenha prometido fazê-la cumprir se ganhar as eleições. A rapaziada não dá ponto sem nó. Claro que podes dizer que também não há médicos e o Ministério não deixa abrir mais cursos de medicina. Pois, tens toda a razão mas estou convencido que aí o problema é outro. Enquanto que os técnicos da higiene e segurança no trabalho ganham mal e não têm força para fazer valer os seus direitos, com os médicos a música é outra. E eu concordo que assim seja. Vê lá no que deu a banalização da profissão de professor.Antigamente um professor era respeitado. Tinha lugar na mesa de honra das cerimónias oficiais da aldeia e os pais dos alunos presenteavam-nos com sacas de batatas, galinhas alimentadas a milho e garrafões de bom vinho. Agora até lhes vão fazer esperas à porta das escolas para os insultar e dar cargas de porrada.Serafim, estive a ver uma galeria de fotos no site de O MIRANTE www.omirante.pt e estou de olhos em bico. São retratos de um desfile de lingerie para noivas que decorreu na Expocasamento em Rio Maior. Alguma vez me passou pela cabeça que uma noiva pudesse ir para a noite de núpcias artilhada daquela maneira??!! Sou um atraso de vida, um grunho da pior espécie. Eu pensava que as noivas continuavam a usar aquelas cuecas saco de batata e cintas até meio da perna como a minha Maria. E uns sutiãs daqueles que estão ao monte nas feiras a cinco euros cada três. Estou a dizer-te isto e até me envergonho de tanta ignorância.Eu já tinha visto material daquele, sim senhor, mas no cinema. Nunca pensei que as raparigas casadoiras usassem aquilo no dia do casamento. Mas se usam é porque alguma coisa não vai bem. Eu cá não precisei de lingerie erótica para ficar excitado. Lembro-me bem que depois do copo de água andei de grupo em grupo a perguntar se a malta não estava cansada e se não se queria ir embora. Sorrateiramente fui à copa dar ordens para não servirem mais nada àquelas frieiras. E mesmo que a Maria tivesse levado cinto de ligas, fio dental, meias de renda, véu erótico, eu nem devia ter dado por isso tal foi a fussanguice com que ataquei assim que ficámos sozinhos. Se ela não tem protestado ficava com o vestido de noiva amarrotado até à terceira geração, quanto mais...Felizmente ainda há coisas que me surpreendem. Nos últimos tempos foi esta coisa da lingerie nupcial e foram as declarações da Cristina Branco. A cantora de Almeirim que fez carreira na estranja e que agora começa a ser conhecida em Portugal. Depois de tanta revelação fadista que me fazia desesperar, eis alguém que deu um pontapé no fado. Há uns anos vi um espectáculo da Cristina Branco na Igreja Matriz da Golegã. Fiquei fascinado pela voz, pela plasticidade e pela música. Nessa altura ela só cantou um fado e para mim foi o pior momento da noite. Agora aparece com o álbum Ulisses a dizer que o caminho dela não é pelo fado. Lembrei-me do Vasco Santana a fazer de Vasquinho da anatomia num antigo filme português quando está com uma bezana e grita a célebre palavra de ordem: “Morra o fado”. O Vasquinho curou a bezana e voltou ao fado para pagar as propinas da faculdade de medicina onde se formou graças ao esternocleidomastoideu. Calculo que o outro pessoal que insiste no fado o faz pelos mesmos motivos. É fácil, é barato e dá uns tostões. A Cristina Branco não embarcou naquele navio. Uufff! Ainda bem que há alguém em Portugal que tem gosto em percorrer caminhos mais difíceis. A mim também não me dão gozo nenhum as coisas que consigo com grande facilidade. É por isso que esta semana vou voltar a jogar no euromilhões, no totoloto, no loto 2 e no Joker. Eu sei que esta é a maneira mais difícil de enriquecer mas não me importo. E pelo que sei também tu segues à risca o “Cântico Negro” do José Régio: “Sei que não vou por aí”. Com a Cristina Branco já somos três. Pela minha parte acho que estou muito bem acompanhado.Um abraço do contra do Manuel Serra d’Aire

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