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A discrição do “doutor” de Abrantes

A discrição do “doutor” de Abrantes

Jorge Lacão, candidato do PS, mostra uma faceta discreta e muito fair play
Edição de 16.02.2005 | Política
É o mais discreto dos cabeças de lista por Santarém às próximas eleições. Não faz da voz um megafone eleitoral e assume uma postura de gente comum, idêntica à dos muitos transeuntes que, naquela manhã de sábado, faziam compras na Rua Luís Falcão de Sommer, no Entroncamento.Jorge Lacão, o cabeça de lista do PS pelo distrito de Santarém, não faz grande alarido. Para isso serve o forte staff que o precede, na árdua tarefa de distribuir à esquerda e à direita toda uma panóplia de presentes de campanha.O “doutor de Abrantes”, como foi apelidado por alguns, segue em passo de passeio, parando aqui e ali para cumprimentar as pessoas, ouvir queixas e oferecer um cachecol, que o frio está de rachar.A campanha começou bem no Entroncamento. A meio da rua, o pessoal teve de voltar à base para se reabastecer de material de propaganda. Jorge Lacão está contente, nota-se no sorriso que lhe atravessa a cara. “É preciso mobilizar os eleitores”, vai dizendo enquanto, na passada, oferece um cachecol a uma das transeuntes. “Tome lá, é para o frio, mas tem de o usar, tem de tirar esse”, diz. A senhora aceita e coloca-o por cima do de cor castanho que traz enrolado ao pescoço. O frio é muito e tudo o que vem é bem vindo.Jorge Lacão foi ao Entroncamento preparado para o primeiro embate com a população. E para o frio. O sobretudo de fazenda azul escuro quase o tapa dos pés à cabeça, deixando apenas ver uns centímetros das calças, também azuis. O luto pelo pai, falecido recentemente, só não encontra eco no cachecol vermelho que traz ao pescoço, com o emblema do partido. “Então você é de Abrantes? De que zona?”, pergunta a um homem que o faz parar para fazer queixa de uma estrada cheia de curvas e contracurvas. “Sou da freguesia do Tramagal”, responde quase sem se deter o eleitor, continuando a falar da necessidade de uma ponte que já é promessa desde o tempo em que o PS estava no Governo.Esfregando as mãos – “Hoje está mesmo frio” – Jorge Lacão cumprimenta um casal que acompanha uma criança mascarada com um fato verde alface, da cor dos panfletos do PS. “Este é o senhor de Abrantes, aquele que o avô fala”, diz o homem para a miúda, que não dá mostras de perceber o que se passa e puxa a avó para a brincadeira. Sem ser indelicado com as pessoas o candidato acelera um pouco o passo, dá corda aos sapatos de vela castanhos, que ainda há muito a percorrer e a manhã já vai longa. “Dê cá um abraço para ter força para continuar”, pede uma transeunte, quase sufocando o candidato, pequeno e magro. “Vocês vão ganhar, de certeza absoluta”, vaticina convicta.Quase no final da rua a primeira “contrariedade”. Uma senhora avantajada pensa que Jorge Lacão é do Bloco de Esquerda e não desarma mesmo quando o staff do partido se apressa a dizer que o senhor é “o do PS”. “Pois sim, mas eu gosto muito do outro (Francisco Louçã)”. Sem acusar o “soco no estômago” Jorge Lacão puxa do seu fair play e responde à letra – “Pois eu também. E ainda gosto mais da Joana Amaral Dias”.A receptividade com que as pessoas o recebem, as palavras de conforto que vai ouvindo rua abaixo fazem-no acreditar que a esmagadora maioria dos eleitores vai votar PS. “Você não acha isso?” pergunta à jornalista de O MIRANTE, à espera de uma resposta que fica por dar. Jorge Lacão um homem de fé.
A discrição do “doutor” de Abrantes

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