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Pose irreverente e lição bem estudada

Pose irreverente e lição bem estudada

Joana Amaral Dias, candidata do BE por Santarém, andou nas ruas de Tomar
Edição de 16.02.2005 | Política
As calças de ganga “à boca de sino”, o blusão de penas sem mangas vestido por cima do casaco de pele branca e a mochila preta às costas dão-lhe um ar de teenager. Mas Joana Amaral Dias, a cabeça de lista pelo Bloco de Esquerda (BE) pelo distrito de Santarém às eleições legislativas de 20 de Fevereiro, não é uma jovem inconsciente. Sabe bem o que quer e para onde vai.Demonstrou-o no sábado, quando percorria as ruas da cidade velha de Tomar, “abraçada” a uma mão cheia de panfletos da propaganda eleitoral. Com passadas largas e firmes a candidata do BE entra e sai de dezenas de estabelecimentos, levando a lição bem estudada.“Isto está mal, não está? Já alguma vez esteve pior que agora?”, pergunta aos comerciantes, olhos nos olhos. À resposta já esperada contrapõe – “há que mudar, fazer alguma coisa, apostar em alternativas”, diz, avançando quase sem se deter – “O problema é que diz-se sempre que as coisas não mudam mas continua-se a votar nos mesmos”.Mesmo sem grande aparato eleitoral – apenas meia dúzia de apoiantes da candidatura – Joana Amaral Dias percorre as ruas de Tomar de cabeça levantada e olhos bem abertos, não se esquivando a cumprimentos. Se é tímida disfarça bem.“Bom dia, eu sou Joana Amaral Dias, candidata pelo Bloco de Esquerda ao distrito de Santarém. Então como vai isso?” pergunta a quem por ela passa, dando dois dedos de conversa.Cumprimenta novos e velhos, homens e mulheres, com um aperto de mão vigoroso como que a dizer: “confiem em mim apesar de só ter 31 anos e de ser mulher”. A meio da rua dos Moinhos a candidata faz o seu momento de relaxe, tira da bolsa exterior da mochila um maço de tabaco LM Ligts azul e agarra num cigarro com os dedos bem cuidados e a unhas pintadas de branco. A única pintura que expõe, exceptuando o rímel que usa nas pestanas.“Vamos entrar ali”, diz-lhe Carlos Trincão, o rosto do BE em Tomar. Joana Amaral Dias responde – “só depois de fumar”. Entre duas “passas” no cigarro vai confessando a um comerciante que o BE quer crescer e que as pessoas vêem o seu partido como uma alternativa para mudar o rumo das coisas.Usa uma linguagem simples e apelativa e alguns termos populares – “não podemos varrer o lixo para debaixo de tapete” ou “não se pode esconder a cabeça, como as avestruzes”.A Casa das Ratas é paragem obrigatória mas, ao contrário dos restantes apoiantes, a candidata do BE não faz o gosto ao paladar. “Antes de almoço não bebo”, diz a quem lhe oferece um copo, branco ou tinto, tanto faz. Não é grande apreciadora do néctar dos deuses mas de vez em quando não o renega, principalmente às refeições.Mostra-se à vontade mesmo quando se lhe pergunta porque, não sendo do distrito, concorre por ele. Porque não sendo aqui conhecida o desafio é maior. E porque o BE está apostado em ganhar maior expressão no distrito.A única afinidade que a candidata tem com Santarém é familiar - a madrasta e a meia-irmã vivem na capital de distrito. Joana Amaral Dias é uma cidadã do mundo. Nasceu em Luanda (Angola), viveu em Coimbra, Leiria e Lisboa, onde actualmente reside, e passou uns tempos em França e no Brasil. Troca muitas vezes os vês pelos bês sem nunca ter vivido no Norte e é um bocadinho “sopinha de massa”. Nada que a impeça que fazer valer os seus pontos de vista, não fosse ela de signo Touro, de convicções fortes e teimosa por natureza.A loira que é mais bonita ao vivo do que nos placardes, como lhe disse um dos seus interlocutores, acredita em si própria para poder dar uma “prenda” ao BE nas próximas eleições. E para quem nasceu a 13 de Maio, Nossa Senhora de Fátima até pode fazer algum milagre...
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