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Um candidato com muita lábia

Um candidato com muita lábia

Miguel Relvas está na campanha como peixe na água
Edição de 16.02.2005 | Política
“Quer um cachecol, minha senhora?”. A pergunta é repetida vezes sem conta por Miguel Relvas, o cabeça de lista do PSD pelo distrito de Santarém, enquanto percorria as bancas do mercado de Tomar, na manhã de sexta-feira, 11.Na terra que adoptou como sua, o candidato sente-se como peixe na água, distribuindo cachecóis, canetas e propaganda eleitoral. “E uma caneta, alguém tem uma caneta para oferecer a esta senhora tão simpática?”, pergunta ao grupo que o acompanha, enquanto “apresenta” o presidente da câmara aos tomarenses - “Conhece aqui o senhor António Paiva, o presidente da câmara? Agora vota em mim e depois vota nele”.Miguel Relvas alia a boa disposição que lhe é peculiar aos muitos anos de prática em acções de campanha. A manhã está fria mas ele faz tudo para aquecer o ambiente. Há alturas que, salvo as devidas distâncias, parece ser um vendedor a impingir banha da cobra - “Já tem um cachecol? Então tome lá uma caneta que é para no dia 20 não se enganar na cor”, diz para a vendedora de tremoços, enquanto prova a mercadoria.Com um molho de cachecóis no braço direito e uma caixa cheia de canetas na mão esquerda Miguel Relvas percorre o recinto de sorriso aberto e com resposta na ponta da língua. Como quando um senhor se lhe dirigiu desafiando-o - “já não se lembra de mim, pois não?”. A resposta surgiu de imediato - “Ainda tenho a igreja de madeira que me ofereceu. Está no meu escritório”.A simpatia e a “lábia” do candidato cativam vendedores e compradores e são poucos os que recusam as prendas do PSD, mesmo que nada queiram com o partido. Como a senhora que recebeu um saco laranja, a caneta e o cachecol com um sorriso aberto mas que, mal Relvas virou costas, meteu tudo dentro do saco dizendo entredentes - “falas bem mas não me encantas, porque eu sou socialista até morrer”.Ninguém escapa a Miguel Relvas. Nem a “Zuca”, a cadela com dois meses que a filha de um feirante traz nos braços. “Posso pegar no Zuca? Ele não morde?” pergunta o candidato à pequena, que responde um bocado torto - “Ele é uma cadela e não morde, só arranha”. Igual a si próprio o candidato põe-se a jeito para a fotografia. Nunca se sabe se não será primeira página do Expresso na próxima edição, deve ter pensado Relvas quando o fotógrafo do semanário dispara a máquina.Dentro da praça do peixe, a primeira contrariedade. Tinham acabado as canetas e os cachecóis. Enquanto os apoiantes foram reabastecer, Miguel Relvas continuou a distribuir beijos e abraços, enquanto colocava propaganda política em cima dos repolhos de couves, dos pepinos e da fruta. Relvas dá beijos a novos e velhos mas as caras bonitas têm tratamento especial. “Olha aqui estas duas caras lindas, deixe-me colocar-lhe este cachecol, por cima desse castanho que traz”, diz para uma, enquanto envolve o pescoço da jovem com o pedaço de tecido laranja. “Fica bonito, está a ver?”.“Isto é tudo igual, promessas, promessas”, diz um idoso ao ler o folheto da propaganda social-democrata. “Olhe que não, nós acreditamos em tudo o que aí está”, respondeu Relvas. Que avançou de imediato para o cumprimento mais caloroso do dia ao padre Leopoldo, o homem que o casou. “Só não lhe ponho um cachecol ao pescoço porque os fiéis vinham todos atrás de si”, diz enquanto o abraça. A resposta do pároco não se fez esperar - “Não vale a pena. Vou-lhe fazer a minha profissão de fé - não acredito em nenhum, embora reconheça que haja pessoas sérias nos partidos”.
Um candidato com muita lábia

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