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Um “puto” porreiro

Um “puto” porreiro

Nuno Fernandes Thomaz, candidato do CDS/PP, mostrou o que vale na praça do Entroncamento
Edição de 16.02.2005 | Política
Chegou uma hora depois do previsto mas com vontade de mostrar o que vale. “Vamos lá trabalhar que é para isso que aqui estou”, diz Nuno Fernandes Thomaz, cabeça de lista do CDS/PP por Santarém, enquanto pega numa resma de panfletos com a sua cara, sacos de plástico, balões e calendários para distribuir, à caça do “voto útil para Portugal”.Às 11h20 da manhã a praça do Entroncamento já não tem a enchente que o candidato espera, mas tudo o que vem à rede é peixe. E é mesmo pela zona da venda de peixe que Nuno Fernandes Thomaz começa a mostrar o que vale.“Ora bom dia, posso dar-lhe um calendário e um papelinho? Esse que aí está tem uma cara simpática não tem?” pergunta a uma cliente, à espera que os robalos sejam amanhados. “Diga lá se não sou bonito” insiste Nuno Fernandes Thomaz. A mulher sorri, mas é a vendedora de peixe que responde: “Já vi mais bonitos, mas também há mais feios”.A vendedora não fica sem resposta, que o cabeça de lista por Santarém não deixa as coisas a meio. “Não sou nada de especial mas olhe que a minha mulher não se queixa e já tenho quatro crianças”, diz. Nem parece ser esta é a primeira vez que Nuno Fernandes Thomaz enfrenta o povo ribatejano, tão à vontade se mostra. “Eu sou assim mesmo e gosto disto, do contacto com as pessoas, de olhá-las nos olhos”, diz o homem que não tem raízes ribatejanas.“Dê cá uma coisa dessas, que um calendário faz sempre falta”, diz um homem de meia idade para o candidato, enquanto o vai avisando: “Não lhe digo que vou votar em si mas respeito todos. Também sou sportinguista e respeito o Benfica”. Nuno Fernandes Thomaz responde na mesma moeda: “Então há uma coisa que temos igual, somos sportiguistas, somos sofredores”.Uma vendedora de peixe aceita o panfleto e com um sorriso matreiro diz que “saber falar vocês sabem todos”. “Falam, falam mas não fazem nada não é?”, riposta o candidato – “mas quando aparecem novos, que ninguém conhece, a malta vota é nos que já lá estão e que conhecem de ginjeira, essa é que é essa”.Nuno Fernandes Thomaz quer mostrar ao povo que é como ele. Foi por isso que deixou a gravata em casa e vestiu-se de forma a poder confundir-se com qualquer cliente – calças de bombazina beijes, camisa azul clara e casaco de fazenda castanho, de xadrez minúsculo. Nos pés, sapatos também castanhos, confortáveis para a longa caminhada que o espera.“Vocês não vão conseguir mais do que nas últimas eleições. Um candidato e pronto, porque o PS é um problema”, vaticina um cliente enquanto cumprimenta o candidato. Que não se desmancha e parte para a contra-ofensiva – “Quer uma aposta? Vai um jantar? O senhor escolhe o sítio…”, diz Nuno Fernandes Thomaz, que pede o contacto do homem. A campanha ainda está a meio mas Nuno Thomaz já anda rouco de tanto falar. “O que é preciso é gente nova na política, mas não é só um nem dois nem três. É renovar a classe política, toda! Os que lá estão há anos não interessam nem ao menino Jesus”, diz para uma mulher que instantes antes lhe mandara um recado – “Se forem para lá não se esqueçam de fazer borrada como os outros, de só pensarem em vocês e esquecerem-se de nós”.O candidato considera-se “um puto” simpático, que já fez muita coisa no sector privado e alguma no sector público. E que gostava de poder dar a cara pelas gentes do Ribatejo. Mas, se não conseguir, não tem muito a perder. “É como a minha mulher diz: se não for eleito vou ganhar três vezes mais outra vez”.
Um “puto” porreiro

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