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Família de Tagarro, Alcoentre, vai receber apoio para melhorar habitação

Uma família carenciada de Tagarro, Azambuja, vai receber um apoio da autarquia para reparar a habitação. O casal vive com um filho menor numa casa sem luz e com o tecto a cair.

Edição de 16.02.2005 | Sociedade
No pequeno quarto onde dorme Ruben, 11 anos, o vidro que falta na janela foi substituído por um plástico. Ali mesmo ao lado, no quarto dos pais, parte do tecto já cedeu e a humidade acumulada nas paredes fez rebentar o quadro de electricidade.Há muito tempo que a família que vive no número 10 da Rua da Associação, em Tagarro, Alcoentre, concelho de Azambuja, luta ano após ano contra o frio e contra o drama do alcoolismo que os tem impedido de viver com dignidade. Um programa de desintoxicação concluído em Dezembro do ano passado deu a José Nobre, 47 anos, funcionário da Junta de Freguesia de Alcoentre, a oportunidade de voltar a ter uma vida normal.Para ajudar a família que vive com um filho menor, a Câmara Municipal de Azambuja decidiu por unanimidade, na última reunião do executivo, prestar apoio a nível material no valor de 1591 euros para a reparação da habitação que José Nobre herdou do avô. O apoio da autarquia vai permitir à família arranjar o tecto, rebocar as velhinhas paredes da casa e cimentar o chão da cozinha onde se abrem enormes crateras.Até há pouco tempo os 390 euros do vencimento de José Nobre ficavam todos os meses na taberna da terra. “Às vezes ainda ia pedir mais à minha mulher”, reconhece em tom de arrependimento. Ruben corre até dentro de casa e traz, orgulhoso, as duas caixas de comprimidos do pai. José Nobre jura a pés juntos que jamais irá tocar no álcool. “É isto que ando a tomar. Fiquei mesmo curado. Até podem estar a beber ao pé de mim que não me faz diferença”, garante José Nobre.Logo de manhã, antes de começar o trabalho como auxiliar de serviços gerais, passava pelo café. Era assim durante quase todo o dia. Sob o efeito do álcool chegou a dormir no cemitério e era a mulher que ia no seu encalço a altas horas da noite.Fernanda Nobre, 42 anos, que agora também trabalha para a junta através de um Programa Ocupacional de Carenciados tem esperança de que esta seja a oportunidade de começar tudo de novo.Foi a mulher e as três filhas, que já não vivem com o casal, que convenceram o pai a tentar a recuperação mais uma vez. “Estava a ficar à beira de uma depressão nervosa e já não aguentava mais”, desabafa Fernanda.Está cansada de se levantar todos os dias de madrugada para aquecer no quintal o caldeirão de água quente para o banho e de cozinhar num barracão escuro e cheio de buracos. Agora a vida parece ter ganho outro sentido. Fernanda já conseguiu arranjar um esquentador e está também prometido um guarda-fato para o quarto de Ruben.É em cima da cama que o aluno do terceiro ano faz os deveres da escola quando a claridade ainda permite. A única coisa que Ruben quer é voltar a ter luz em casa. Para ligar a pequena televisão a preto e branco que ofereceram à família e deixar de ir à associação da terra sempre que quer olhar para o pequeno ecrã.Ana Santiago
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