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Helicóptero teve de aterrar no quartel

Helicóptero teve de aterrar no quartel

Heliporto do Hospital de Tomar não está apto a receber aparelhos para evacuação de doentes

Um helicóptero ao serviço do INEM não pôde utilizar o heliporto do Hospital de Tomar, por este não estar certificado. O aparelho só arranjou local para pousar ao fim de três tentativas, mas o esforço foi em vão. O doente acabou por ser transportado de ambulância.

Edição de 16.02.2005 | Sociedade
O heliporto do Hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar, não está certificado pelo Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) e por isso nenhum helicóptero de emergência médica ali pode pousar (ver caixa). Sempre que é necessária a sua intervenção, o piloto procura alternativas mas às vezes a situação complica-se. Como aconteceu na última segunda-feira.Pouco passaria das 22h00 quando o Hospital de Tomar solicitou ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) a vinda de um helicóptero para transportar um doente com um diagnóstico reservado.O INEM accionou a apoio médico aéreo e alertou os Bombeiros Municipais de Tomar no sentido destes disponibilizarem uma ambulância para ir buscar a equipa médica ao aparelho, levá-la ao hospital e trazê-la de volta ao helicóptero, com o respectivo doente. O destino era o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.O que aconteceu foi um pouco diferente do que estava previsto. Sabendo que não poderia pousar no heliporto do hospital de Tomar, o piloto fez-se ao estádio municipal, onde já antes tinha aterrado. Mas não passou da intenção, já que o estádio se encontra actualmente em obras.Tendo de decidir rapidamente, o piloto seguiu para o campo de futebol do Instituto Politécnico de Tomar (IPT). Quando estava a ensaiar a aterragem as pás do aparelho fizeram levantar o pó do campo que, em contacto com a iluminação existente, tornou impraticável uma aterragem em segurança. À terceira foi de vez. O aparelho acabou por pousar na parada do Regimento de Infantaria da cidade. Os bombeiros já lá estavam e apressaram-se a levar a equipa médica do INEM até às urgências do hospital, situado a escassos metros do quartel.Depois de meia hora de espera veio a notícia – o doente, afinal, já não iria para Lisboa de helicóptero mas sim na chamada ambulância medicalizada (apetrechada com mais equipamento). Depois de equipa médica do INEM ter observado o doente, chegou à conclusão que este correria maior risco se fosse evacuado de helicóptero, devido às altas pressões a que seria sujeito.O helicóptero regressou à base, com a equipa médica do INEM, enquanto o doente teve ainda de esperar a vinda de uma ambulância medicalizada do quartel dos bombeiros do Entroncamento, já que a corporação de Tomar não possui nenhuma e a do hospital tinha o motor gripado. Com todos os custos a serem suportados pela administração da unidade hospitalar.Ao fim de uma hora o doente foi finalmente evacuado, por via terrestre, para o Hospital de Santa Maria, onde se encontrava ainda esta terça-feira, já livre de perigo.Margarida CabeleiraHospital de Tomar com heliporto sem segurançaO Heliporto do Hospital de Tomar, inaugurado há dois anos, não pode receber qualquer helicóptero em segurança, uma vez que ainda não possui o necessário e obrigatório licenciamento por parte do Instituto Nacional da Aviação Civil. Na região, o heliporto do Hospital de Tomar é o único a não possuir ainda esse certificado.Pedro Marques, administrador da unidade hospitalar, confirma a situação, afirmando no entanto que o processo de licenciamento está neste momento a decorrer, tendo inclusivamente sido feita uma primeira vistoria ao equipamento, durante o ano passado.Uma vistoria que veio a detectar algumas situações impeditivas para a concretização da certificação. Entre elas, a existência de árvores no limite do terreno do hospital. Depois da vistoria, o INAC solicitou à administração que as copas das árvores fossem medidas para saber se interferem com a área de descolagem/aterragem e exigindo o seu corte no caso de isso se verificar.Também foi recomendada a colocação de um sistema de iluminação no heliporto, embora este não seja obrigatório. Há ainda que realizar um plano de emergência do heliporto, que terá de ser aprovado por várias entidades, nomeadamente INEM, câmara municipal, bombeiros e PSP da cidade.Pedro Marques diz que tudo isso está a ser feito com vista a uma segunda e, espera-se, última vistoria. Mas até lá, os helicópteros ao serviço do hospital terão de continuar a procurar alternativas para pousar em Tomar.
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