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Não há equipas para lidar com acidentes químicos

Em caso de fugas de produtos tóxicos ou venenosos é preciso recorrer à ajuda de Lisboa

Um derrame de ácido clorídrico na fábrica da Rical, em Santarém, e uma fuga de ácido nítrico numa empresa em Alpiarça lançaram o alerta para a falta de equipamentos específicos no distrito para lidar com estas situações.

Edição de 16.02.2005 | Sociedade
O distrito de Santarém não possui meios especializados para lidar com acidentes ambientais. Quando se registam acidentes com produtos químicos, como o que aconteceu a semana passada numa fábrica em Alpiarça, (ver texto nesta edição), é preciso recorrer a equipas especializadas de outros pontos do país. Os bombeiros com formação especial que constituem as designadas UCLA – Unidade de Controle Ambiental – que se encontram mais perto do distrito estão em Lisboa, Setúbal ou Coimbra. No acidente de Alpiarça, em que houve uma fuga de cinco mil litros de ácido nítrico, foi preciso chamar a UCLA do Regimento de Sapadores de Lisboa (RSL).Foi também o RSL que teve que fazer mais de 60 quilómetros para intervir numa fuga de ácido clorídrico que ocorreu na fábrica da Rical, em Santarém, no dia 25 de Setembro de 2004. Na altura libertaram-se várias toneladas daquele produto químico. O derrame foi detectado por volta das 07h15 da manhã de sábado pelo segurança da fábrica que, de pronto, alertou as autoridades.Para dissipar a nuvem de fumo criada devido à reacção química originada pela libertação do ácido, os bombeiros descarregaram água de forma a diluir o gás. E assim evitar problemas para a população da zona, cujas casas estão a pouco mais de 50 metros da unidade fabril. Desta forma tentou-se evitar que o gás causasse irritações cutâneas ou respiratórias nas pessoas. Para o comandante distrital de bombeiros estes dois casos mais recentes já começam a justificar a existência de brigadas especializados em situações que envolvem produtos químicos. António Jesus Manuel considera que “o ideal era haver uma equipa por distrito”. E acrescenta que apesar dos equipamentos serem bastante caros “nada paga a saúde e segurança das populações”. António Manuel revela ainda que são poucas as corporações do distrito que possuem fatos de aproximação anti-contaminação. Vestuário que permite ao bombeiro estar no local sem ser atingido pelos produtos tóxicos ou venenosos. O operacional, que também comanda os bombeiros de Ferreira do Zêzere, considera ainda que, na generalidade, os elementos ao serviço das corporações apenas têm “uma formação geral” para lidar com este tipo de acidentes.Segundo o coordenador distrital de bombeiros e protecção civil, Joaquim Chambel, as unidades de controlo ambiental surgiram no país há cerca de dez anos. E foram concebidas para fazerem a cobertura do território nacional, tendo em conta o número de acidentes que acontecem e os graus de risco. Joaquim Chambel considera que a resposta, normalmente dada pela UCLA de Lisboa, tem sido boa e por isso defende que não é necessária a criação de uma unidade no distrito de Santarém. Até porque a estrutura das corporações, baseada no voluntariado, não é compatível com este tipo de equipas especializadas que assentam numa estrutura profissional e têm de estar operacionais 24 horas por dia. As UCLA dispõem de viaturas preparadas para intervir em acidentes químicos/ambientais, dispondo de material de protecção dos bombeiros especialistas. Bem como de equipamentos que permitem fazer a monitorização da quantidade e tipo de gases libertados, entre outros.

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