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População não quer coreto demolido

População não quer coreto demolido

Projecto da Câmara de Abrantes para praça central de Alvega não agrada

A requalificação da praça central de Alvega prevê a demolição do coreto ali erguido com o dinheiro da população. Os mais velhos não aceitam tal cenário. E o presidente da junta diz que “em Alvega mandam os alveguenses”.

Edição de 16.02.2005 | Sociedade
O projecto de recuperação da praça da República, em Alvega, concelho de Abrantes, desagrada a grande parte da população, porque com as obras irá desaparecer o coreto, tido como uma espécie de ex-libris da aldeia. Para outros o imóvel de pouco serve, dado que até a filarmónica vai ter a sua sede própria.Os mais velhos não querem nem ouvir falar da demolição do actual coreto. Uma construção octogonal um pouco desproporcionada para a dimensão da praça, mas que foi erigida com dinheiro da população.“Se eles deitam este coreto abaixo nunca mais constroem outro”, argumenta um grupo de habitantes a descansar à hora de almoço num dos cafés da praça, receando que a história não se repita. É que o actual coreto foi construído para substituir um outro demolido em meados da década de 60 do século passado.“Façam as obras mas não deitem abaixo o coreto, a maioria da população está contra”, avança Adelino Dias Ferreira, com o assentimento dos presentes. Rogério Madrinha reforça a pouca legitimidade que a câmara tem para derrubar o coreto quando grande parte dele foi feito com o dinheiro da população.Francisco Lopes, bastante mais novo, tem uma opinião diferente. O coreto pode lá ficar mas se as obras forem para melhorar está de acordo. “Para mim desde que seja para melhorar está bem feito”.O edifício que ocupa a parte central da Praça da República foi inaugurado em 1981, embora a sua construção tenha começado logo depois do 25 de Abril de 1974. Foi com esforço que a população conseguiu erguê-lo para que Alvega voltasse a ter um palco para a banda e para os artistas convidados por altura das festas ou outros acontecimentos.O projecto de remodelação, da responsabilidade da Câmara de Abrantes, irá transformar a praça num local aprazível com espaço com zonas ajardinadas, uma pérgola e outros locais de lazer, ficando o estacionamento, que actualmente ocupa quase todo o recinto, a circundar a praça. “Façam lá isso tudo, mas deixem o coreto”, reafirmam as pessoas contactadas por O MIRANTE.No entanto, segundo o projecto do Gabinete do Centro Histórico de Abrantes, o coreto é um “elemento dissonante, de escala desproporcionada, devendo ser substituído por elementos escultóricos alusivos às gentes de Alvega, dando um sinal de que os actuais moradores pretendem homenagear os seus antepassados, honrando a sua memória e o seu esforço pela edificação da freguesia e das suas obras.” O presidente da junta, Augusto de Matos Pires (PS), é outra das vozes discordantes. Junto ao desenho do projecto colocado em vários locais da aldeia, o autarca fixou um comunicado em que afirma que a “contribuição” da junta foi “nula”, porque não foi ouvida.E porque entende “que em Alvega ainda mandam os alveguenses”, Augusto Pires diz que será agendada uma assembleia de freguesia extraordinária onde, “com a presença dos responsáveis pelo projecto”, a requalificação da Praça da República seja discutida. Para já desconhece-se para quando será agendada a referida reunião. Augusto Pires adiantou que o processo está em curso e pode chegar-se à conclusão de que não há necessidade da referida assembleia. “Tudo depende de como as coisas evoluíram”, concluir sem entrar em pormenores.Margarida Trincão
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